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Após crise cambial, reajuste de preços ameaça Argentina

Comerciantes já falam em alta dos preços e sindicatos pensam em reivindicar aumento salarial

Por Da Redação - 27 jan 2014, 11h55

As incertezas tomaram conta dos argentinos depois do início de uma crise cambial na qual o país mergulhou na semana passada. Empresários já falam em alta de preços e retiram produtos das vitrines e os sindicatos, prevendo a aceleração da inflação, afirmaram que vão pressionar por reajustes salariais.

A expectativa em relação à escalada de preços está sendo inflada pelos temores de continuidade da alta do dólar, cuja cotação oficial aumentou 18% na semana passada, a maior oscilação desde 2002.

O ministro da Economia, Axel Kicillof, disse que a desvalorização da moeda não afetará nem preços nem salários. “Quem diz isso mente. Não vamos permitir”, exclamou o ministro, que prometeu que a economia argentina crescerá 5,1% neste ano, além de negar uma perda do poder aquisitivo dos salários. Desde que o ministro tomou posse, dia 19 de novembro, o dólar oficial aumentou em 33% em relação ao dólar. Por causa da desvalorização, nas últimas dez semanas a Bolsa de Valores de Buenos Aires perdeu 22% de valor de mercado, medido em dólares.

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A elevação das tarifas dos serviços públicos, autorizadas dias atrás pela Casa Rosada, também preocupa. Informações extraoficiais indicam ainda que o governo Kirchner avalia reduzir ou eliminar os subsídios concedidos há vários anos para as empresas do setor de energia elétrica, de forma a reduzir o déficit fiscal. No entanto, isso provocaria um aumento das tarifas da eletricidade para os consumidores. O governo também poderia, segundo rumores, autorizar as empresas de combustíveis a elevar seus preços nas próximas semanas.

Donos de supermercados contam que seus fornecedores já estão aumentando o valor dos produtos em até 15%, o que dificultará o congelamento de preços de 194 produtos imposto pelo governo Kirchner e válido desde a primeira semana de janeiro.

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Câmbio – Na ocasião do lançamento do congelamento, o dólar oficial estava em 6,62 pesos. Na sexta-feira, a moeda encerrou a jornada em 8,00 pesos. Entre esses dois momentos, o dólar oficial teve alta de 20,85%. Por esse motivo, o empresário Alfredo Coto, dono da maior rede de supermercados de capital nacional, declarou que “a alta do dólar fará oscilar custos dos produtos do acordo de preços”.

No entanto, o secretário de Comércio, Augusto Costa, ameaçou os empresários, declarando que não hesitará em abrir importações caso seja necessário garantir a estabilidade de preços e o abastecimento.

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O chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, afirmou que o governo Kirchner “agirá com todo o rigor da lei nos casos em que ocorram abusos dos formadores de preços”. Capitanich sustentou que bens com alta proporção de componentes importados, como carros e eletrodomésticos ficarão na mira do governo, que realizará “monitoramentos permanentes”.

A tensão também está crescendo de forma simultânea à queda das reservas do Banco Central argentino, utilizadas pelo governo Kirchner em sua guerra cambial. Na semana passada as reservas caíram 700 milhões de dólares. Dessa forma, as reservas ficaram em 29,06 bilhões de dólares. Em 2011, quando Cristina foi reeleita, estavam em 52 bilhões e dólares. A oposição acusa a presidente de usar as reservas do BC como “um talão de cheques”.

(com Estadão Conteúdo)

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