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Após Bernanke, dólar cai 1,20% e bolsas fecham em alta

Presidente do Fed afirmou, em discurso na Câmara, que estímulos à economia continuarão

O dólar voltou a registrar forte oscilação ante o real nesta quarta-feira, dando continuidade a um padrão verificado desde a última segunda-feira. Embora o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Ben Bernanke, também tenha tirado a força do dólar em outros mercados, o movimento foi mais intenso no Brasil. E mesmo com a recuperação da moeda no exterior durante a tarde, o dólar à vista fechou em baixa de 1,20% no balcão brasileiro, cotado a 2,2310 reais.

Na cotação máxima da sessão, às 9h22, o dólar marcou 2,2660 (+0,35%) e, na mínima, às 13h07, atingiu 2,2270 (-1,37%). Da máxima para a mínima, a moeda oscilou -1,72%.

Desde a segunda-feira, tem chamado a atenção justamente o fato de o dólar, no Brasil, registrar movimentos extremos, muitas vezes na contramão do que é visto no exterior. Na segunda, o dólar no balcão caiu 1,88%, em um recuo bem mais intenso que o verificado ante outras divisas de países ligados a commodities. Na terça-feira, apesar da queda no exterior, o dólar fechou em forte alta ante o real, de 1,30%. Hoje, por sua vez, enquanto o dólar subia ante boa parte das moedas de países emergentes, no fim da tarde a moeda caiu mais de 1% ante o real.

Aproveitando o movimento de queda, o Banco Central anunciou, após o fechamento do pregão, a realização na manhã de quinta-feira um leilão de 20 mil contratos de swap cambial tradicional – equivalente a venda de dólares no mercado futuro – com vencimento em 2 de dezembro deste ano. A operação é o início da rolagem de contratos que vencem no dia 1º de agosto.

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O discurso do presidente do Fed, divulgado pela manhã, trouxe um viés de queda para a moeda americana em todo o mundo, em meio à perspectiva de que os estímulos à economia dos EUA continuarão por mais tempo. Com uma linguagem mais clara, Bernanke afirmou em discurso que as compras de 85 bilhões de dólares por mês em bônus “não têm de forma alguma uma direção definida”. Ele disse ainda que o Fed pode manter o programa intacto por mais tempo ou até aumentar as compras, se o mercado de trabalho piorar ou se a inflação não voltar a ficar próxima da meta de 2%. No Brasil, isso fez o dólar cair de forma mais consistente, após a moeda ter registrado ganhos na abertura.

Bolsas – A fala de Bernanke somada à divulgação do Livro Bege (sobre o crescimento da economia americana) e à divulgação de alguns indicadores prévios de inflação no Brasil próximos de zero para julho fizeram com que a BM&FBovespa avançasse 1,15%, aos 47.407 pontos. Tanto a OGX, que vinha castigando o Ibovespa nas últimas semanas, como Vale e Petrobras encerraram o pregão no azul.

Mais cedo, foi anunciado que a inflação na cidade de São Paulo, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), teve ligeira alta de 0,01% na segunda leitura do mês, desacelerando ante a prévia anterior, quando subiu 0,16%. O resultado apurado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) ficou abaixo da mediana de 0,05%.

As ações da petroleira de Eike Batista avançaram mais de 4%, apesar dos recentes comentários de um possível calote nos títulos emitidos pela empresa. Na segunda-feira, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou para CA a nota da empresa, alertando que o grau é o último antes do nível “default”, que significa a incapacidade da OGX em honrar o pagamento de seus títulos emitidos no mercado de dívida.

Os papéis da Petrobras fecharam em alta de 1,97%, a 16,06 reais, enquanto Vale avançou 1,18%, a 28,20 reais.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones, o principal de Wall Street, fechou em alta de 0,12%, enquanto o S&P 500 avançou 0,28% e a Nasdaq, 0,32%.

Na Europa, as bolsas reagiram positivamente ao discurso. O índice pan europeu Stoxx 600 subiu 0,6% e fechou a 297,04 pontos.

(Com Estadão Conteúdo)