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Após ata do Copom, juro futuro de longo prazo sobe

Por Da Redação 28 jul 2011, 17h23

Por Alessandra Taraborelli

São Paulo – Se por um lado a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) abriu espaço para o mercado avaliar que o fim do ciclo do aperto monetário acabou ao indicar um cenário mais prospectivo para a inflação, por outro, questões como mercado de trabalho e cenário externo adverso sinalizam a possibilidade de uma nova e última elevação da taxa Selic em agosto, de 0,25 ponto porcentual. “O BC deixou a porta aberta para a próxima reunião. Ele (BC) não se comprometeu com o encerramento (do ciclo de alta) nem com mais uma alta, avaliou o estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno.

A ata destaca que “embora incertezas elevadas e crescentes que cercam o cenário global e, em escala marcadamente menor, o cenário doméstico, não permitam identificar com clareza o grau de perenidade de pressões inflacionárias recentes, o Comitê avalia que o cenário prospectivo para a inflação mostra sinais mais favoráveis”.

Por outro lado, o documento não explicitou que a inflação convergirá para o centro da meta em 2012, como constava na ata anterior, e os modelos citados no texto apontaram piora do quadro para os preços. Com isso, as taxas de juros dos contratos futuros de longo prazo subiram, enquanto as mais curtas apresentaram estabilidade.

Na BM&F, a projeção do contrato futuro de depósito interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2012 (243.345 contratos negociados) fechou estável a 12,47% ao ano, enquanto o DI de janeiro de 2013 (124.115 contratos negociados) projetou 12,69% ao ano, de 12,68% no ajuste de ontem. O DI de janeiro de 2014 (142.190 contratos negociados) subiu de 12,74% para 12,83% ao ano. Nos vencimentos longos, o avanço era ainda maior. O DI de janeiro de 2017 (37.085 contratos) saltou de 12,60% para 12,75% ao ano, e o DI de janeiro de 2015 (29.245 contratos) estava em 12,84% ao ano, ante 12,74% na véspera.

O avanço dos juros de longo prazo também foi creditado à cautela do investidor estrangeiro, principalmente após o governo ter adotado, na véspera, medidas cambiais para conter a queda do dólar.

O economista-sênior da Besi Brasil, Flavio Serrano, observou que a ata do Copom reforçou que o fim do aperto está próximo. “O BC deve esperar os próximos indicadores para tomar uma decisão”, avalia destacando que dados como a produção industrial e as vendas no varejo devem fortalecer uma desaceleração da atividade econômica do País. Além disso, ele avaliou que o IPCA e o IPCA-15 devem estar menos pressionados no segundo semestre do que no início do ano. Por outro lado, a incerteza no cenário internacional deve continuar no foco das atenções.

Outra profissional lembra ainda que o mercado trabalho doméstico continua aquecido e pode vir a ser fonte de pressão, principalmente porque no segundo semestre estão concentrados reajustes salariais de várias categorias profissionais.

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