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Após abrir em alta, Bovespa faz meia-volta e perde

Por Olívia Bulla

São Paulo – A rodada ruim de indicadores sobre a economia dos Estados Unidos levou a Bovespa para o campo negativo depois de ensaiar uma recuperação no começo do pregão. A despeito de números decepcionantes sobre o mercado de trabalho norte-americano, nesta véspera de payroll, as Bolsas de Nova York haviam iniciado o dia no azul, o que levou o Ibovespa à pontuação máxima, em 54.151 pontos, em alta de 0,66%.

Porém, a queda do índice ISM de Chicago em maio ante abril, de 56,2 para 52,7, acima da previsão de ligeira baixa a 56,0 e para o menor nível desde setembro de 2009, foi a “pá de cal”. Por volta das 11h45, o Ibovespa caía 0,86%, aos 53.337,70 pontos, na pontuação mínima do dia. Em Nova York, os índices Dow Jones e S&P 500 recuavam 0,59% e 0,83%, nesta ordem.

Mas, um operador da mesa de renda variável de uma corretora paulista observa que fatores internos também agridem a Bolsa. “Há certa aversão com o Brasil e esse fator de risco afugenta o investidor, principalmente os estrangeiros”, diz. Dados atualizados pela BM&F Bovespa indicam que o saldo de capital externo em maio está negativo em R$ 2,734 bilhões até a última terça-feira.

O profissional citado acima em anonimato diz, por exemplo, que nem mesmo a redução da taxa básica de juros, Selic, para o menor nível da história alimenta compras de ações brasileiras, visando uma maior rentabilidade. “Não é um movimento saudável e pode ter um reflexo ruim à frente”, comenta, lembrando que os cortes nos juros básicos deveriam ser acompanhados de um esforço maior do governo em controlar seus gastos.

Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Banco Central, o setor público consolidado encerrou abril com um superávit primário de R$ 14,240 bilhões, resultado que ficou próximo à mediana calculada de R$ 14,4 bilhões, conforme levantamento do AE Projeções. No primeiro quadrimestre de 2012, o superávit acumula R$ 60,212 bilhões, ou 4,34% do PIB.