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Após 7 anos, Porto do Açu fica pronto em abril, mas só 10% da área está ocupada

Seis mil pessoas, segundo a Prumo Logística (ex-LLX), trabalham nas obras do Porto ou de algumas das nove empresas instaladas no local

Por Da Redação 2 fev 2015, 09h24

Considerado por muitos um sonho megalomaníaco do empresário Eike Batista, o Porto do Açu é um projeto que impressiona. Sete anos e 3,9 bilhões de reais depois do início da obra pela antiga LLX, hoje Prumo Logística, a infraestrutura portuária básica do porto em São João da Barra, norte fluminense, recebe os últimos reparos até abril. Os dois terminais foram inaugurados no fim de 2014, com o primeiro embarque de minério e a primeira operação comercial.

Apesar do avanço, transformar a área de 90 quilômetros quadrados – maior que a ilha de Manhattan, em Nova York – em complexo industrial ainda é um desafio. Há duas semanas, quando o jornal O Estado de S. Paulo visitou o local, caminhões faziam fila para transportar pedras usadas no revestimento do canal do porto. Os últimos blocos gigantes de concreto feitos pelas espanholas Acciona e FCC – de um total de 89 – estavam sendo assentados no fundo do mar.

A americana Edison Chouest, do segmento marítimo, cravava as primeiras estacas para a construção de sua base de apoio no Terminal 2, que abriga empresas da cadeia de óleo e gás. A área molhada do Terminal Multicargas está pronta. A Prumo busca contratos para movimentar ali contêineres e cargas de bauxita e coque a partir do terceiro trimestre. Seis mil pessoas, segundo a Prumo, trabalham nas obras do Porto ou de algumas das nove empresas instaladas no local. Juntas, considerando o aporte da própria Prumo, elas já investiram 6,2 bilhões de reais no complexo.

E ainda há muito o que fazer, porque só 10% do Açu está ocupado. Atrair investimentos tornou-se uma missão ainda mais difícil com a economia em marcha lenta, a crise do petróleo e da Petrobras. O cenário pode dificultar os planos da EIG Global Energy Partners, dona do Açu desde 2013, para o projeto. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, depois de comprar o ativo de Eike Batista, o presidente da companhia americana, Blair Thomas, disse que o porto era a joia da coroa do grupo X, graças à localização privilegiada: “O Açu será o �hub� logístico para o desenvolvimento do pré-sal”.

A perspectiva se mantém, mas o prazo de desenvolvimento do pré-sal pode ser mais lento que o desejável, atrasando os planos da Prumo de ter um fluxo de caixa positivo em dois anos. “O estágio final do porto não está sob risco, mas (a conjuntura) impacta a velocidade para chegar lá. Temos dois anos duros pela frente”, diz o presidente da Prumo, Eduardo Parente, contratado há um ano para tirar o empreendimento do papel.

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Estratégico – O executivo evita mostrar apreensão com o futuro do porto que, em suas palavras, é parte da solução da crise da Petrobras. O Açu fica a 128 km da Bacia de Campos, mais perto que Macaé (190 km) e Niterói (230 km). Com uma base ali, a estatal pode reduzir custos com diesel e barcos de apoio. Parente admite, porém, a importância de atrair novas empresas o quanto antes. Uma vez por semana ele leva potenciais investidores ao Açu. Ter mais contratos facilitaria a negociação para alongar a dívida com o BNDES. São 2,8 bilhões de reais aprovados, dos quais a Prumo ainda pode receber 500 milhões de reais.

Apesar do cenário, a ordem é terminar até abril a dragagem e a construção do quebra-mar dos terminais 1 e 2. No primeiro, funciona o mineroduto da Anglo e cinco navios já atracaram. No segundo, operam as fornecedoras do setor de petróleo Technip, NOV e Intermoor. Além delas, a finlandesa Wärtsila e a Edison Chouest pretendem iniciar operações neste semestre. Marca Ambiental e Vallourec também já alugaram áreas no local.

A ideia original de transformar o Açu em um complexo industrial diversificado está mantida, mas é projeto para 20 anos. Na entrada do porto, placas da antiga LLX indicam onde ficaria o polo metalomecânico. No projeto de Eike, o Açu teria as siderúrgicas Wisco e Ternium, que não vingaram. A térmica da Eneva (ex-MPX) ficou para trás com as dificuldades financeiras da empresa. A chinesa JAC Motors acabou indo para a Bahia, mas atrair uma montadora continua no radar.

A Prumo conversa com elétricas que entrarão no leilão A-5 este ano e com incorporadoras. O objetivo é construir um condomínio no entorno do porto, com shopping, hotel e um prédio comercial.

(Com Estadão Conteúdo)

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