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Aperto monetário pode frear recuperação dos EUA, diz Bernanke

No Congresso, presidente do Federal Reserve, o banco central norte-americano sinaliza que política de compra de ativos será mantida

Por Da Redação - 22 Maio 2013, 17h19

O presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, disse nesta quarta-feira que um aperto prematuro da política monetária pode frear ou até mesmo interromper totalmente a atual recuperação da economia dos Estados Unidos. Segundo ele, o Fed está preparado para ajustar o ritmo das suas compras mensais de bônus, mas da forma que as coisas estão agora “uma política monetária altamente acomodatícia é necessária”, devido ao alto nível de desemprego e da baixa inflação.

Para estimular a economia fraca dos EUA, o Fed injeta 85 bilhões de dólares todos os meses no mercado financeiro por meio da compra de ativos financeiros.

Bernanke comentou que os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) terão de avaliar o progresso da economia em direção ao objetivo de uma melhora “substancial” nas projeções para o mercado de trabalho. Além disso, o comportamento da inflação em relação à meta de 2% também deve entrar na conta, segundo ele.

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O presidente do Fed disse ainda que a política monetária não pode compensar totalmente os efeitos negativos oriundos da política fiscal restritiva. Segundo ele, seria bom que o Congresso dos EUA suavizasse o rigor fiscal neste ano e no próximos.

“Os cortes automáticos de gastos precisam ser substituídos por políticas que reduzam o déficit federal de maneira mais gradual no curto prazo, porém mais substancial no longo prazo. Nas atuais circunstâncias, com as taxas de juros de curto prazo já próximas de zero, a política monetária não tem a capacidade de ofuscar totalmente um obstáculo econômico dessa magnitude”.

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Bernanke comentou que o preço do alto nível de desemprego é muito grande. “O desemprego não somente impõe dificuldades para os indivíduos afetados e suas famílias, mas também prejudica a produtividade potencial da economia como um todo, ao prejudicar as habilidades dos trabalhadores e – o que é especialmente importante durante essa fase – evitar que muitos jovens ganhem experiência profissional”, comentou.

Mercado de trabalho – Em um discurso preparado para sua participação no Comitê Econômico Conjunto do Congresso, Bernanke deixou claro que não está satisfeito com o progresso no mercado de trabalho. “Embora tenha havido alguma melhora, o mercado de trabalho continua fraco”, comentou.

Ele destacou que a taxa de desemprego caiu para 7,5% e que a criação de empregos pela economia tem ficado em média acima de 200 mil vagas por mês nos últimos seis meses. No entanto, Bernanke disse que ele e seus colegas do banco central norte-americano precisarão ver mais melhoras consideráveis na economia dos EUA do que viram até agora.

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“A taxa de desemprego ainda está bem acima do nível normal de longo prazo, as taxas estão historicamente altas e a participação da força de trabalho continua diminuindo”, declarou Bernanke. “Além disso, quase oito milhões de pessoas estão com emprego de período parcial”, acrescentou. “Com o desemprego bem acima dos níveis normais e a inflação contida, seguir adiante com nossos mandatos de máximo emprego e estabilidade de preços exige uma política monetária altamente acomodatícia”, afirmou Bernanke.

Ata – Na tarde desta quarta-feira foi divulgada a ata da última reunião do Fomc. O documento mostra que a maioria dos membros do Comitê quer ver mais evidências de que a economia norte-americana está se recuperando antes de caminhar para redução do programa de compra de ativos.

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“A maioria observou que a perspectiva para o mercado de trabalho demonstrou progresso desde o início do programa, em setembro”, de acordo com a ata da reunião de 30 de abril e 1º de maio. “Mas muitos desses participantes indicaram que progresso contínuo, mais confiança na perspectiva, ou menores riscos serão necessários para que se torne aceitável diminuir o ritmo de aquisições”.

Na última reunião, o Fed votou pela manutenção das compras de ativos no ritmo mensal de 85 bilhões de dólares. A redução do programa de estímulos é ponto de divergência entre alguns membros do Fomc.

Sobre os passos futuros, a ata sinaliza que “alguns participantes expressaram disposição em ajustar o fluxo de compras para baixo a partir da reunião de junho, se a informação econômica recebida até então mostrar evidência de crescimento suficientemente forte e sustentado”. A próxima reunião do Fomc está programada para os dias 18 e 19 de junho.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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