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ANP pode obrigar OGX a perfurar mais poços em Tubarão Azul

Petroleira de Eike Batista anunciou na semana passada que pode interromper produção de poços no ano que vem

Por Da Redação 9 jul 2013, 18h29

A Agência Nacional de Petróleo (ANP) afirmou que pode fazer a OGX, empresa de petróleo do grupo EBX, de Eike Batista, investir mais na perfuração de mais poços nos campos offshore, onde a empresa afirmou não haver reservas comerciais. A OGX, que também enfrenta uma enorme crise de credibilidade, viu suas ações perderem 98% do valor desde sua abertura de capital, em 2008, devido às promessas não cumpridas e à desconfiança do mercado.

A companhia surpreendeu os investidores na semana passada ao dizer que uma reavaliação dos levantamentos geológicos de Tubarão Azul, uma de suas áreas mais rentáveis, mostrou que não havia tecnologia existente que poderia tornar a extração de petróleo economicamente viável.

“Nós podemos concordar com eles (de que o campo não é mais comercialmente viável) ou podemos pedir a eles que perfurem mais”, disse Magda Chambriard, diretora-geral da ANP, em entrevista à Reuters nesta terça-feira. “Se for concluído que não é comercial, nós podemos receber de volta a concessão”, acrescentou.

Tubarão Azul foi o primeiro campo offshore da OGX e a produção teve início em 2012 em um nível bem abaixo das expectativas. A empresa disse na semana passada que a produção no local pode ser encerrada em 2014 e, para isso, precisou pagar 449 milhões de reais à OSX, estaleiro também do grupo EBX, com quem tinha contratos para construção de plataformas de petróleo para os campos.

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Magda, que está em Londres apresentando a investidores as oportunidades de licitação de blocos do pré-sal, disse ainda que a ANP está avaliando o plano da OGX para o campo e que deve chegar a uma conclusão nos próximos meses.

A diretora disse que havia pelo menos 30 grandes companhias petroleiras interessadas no leilão no Brasil em outubro para o prospecto de Libra, na Bacia de Santos, que deverá produzir cerca de 12 bilhões de barris de petróleo ao longo de 35 anos. “Libra é algo gigante que não tem paralelo com qualquer coisa aberta a licitação no mundo em mais de 30 anos”, disse.

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A concessão do prospecto de Libra será a primeira sob as novas regras de compartilhamento de produção que elevou o controle estatal e aumentou a participação do governo na área offshore próxima ao Rio de Janeiro. As minutas do edital do leilão, publicadas nesta terça-feira, informaram que o governo terá uma participação de pelo menos 41,65% em todo o petróleo produzido em Libra, que pode ser de até 1 milhão de barris por dia.

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A diretora da ANP comentou também que o Campo de Frade da Chevron, fechado no ano passado após vazamentos de petróleo, não irá retornar a produção total até que a agência receba e avalie um estudo sobre os motivos para o segundo incidente. O campo retomou a produção em 20 mil barris por dia sob a condição de que a injeção de água e gás para elevar os volumes de produção não seja usado. Frade produzia cerca de 60 mil barris por dia quando foi fechado.

“O segundo incidente não foi completamente analisado, então, até que tenhamos esses resultados não podemos permitir que eles façam a injeção de água ou perfurem poços mais profundos”, disse Magda. Segundo ela, o campo deve atingir seu antigo nível de produção assim que a injeção for permitida. Mas quando isso vai acontecer depende da conclusão dos estudos pela Chevron. “Assim que completarem os estudos, podem começar a injeção.”

A Chevron é a operadora do campo e detém 52% da produção no local – os outros parceiros são a Petrobras e Frade Japão, uma joint venture entre a japonesa Sojitz Corp e a Inpex Corp. Os dois vazamentos resultaram num processo ambiental que chegou a 20 bilhões de dólares, mas quando questionada se havia qualquer dano ambiental duradouro Magda respondeu que não. “Eles têm alguns problemas mas os consertaram”, disse ela.

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(com agência Reuters)

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