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ANP fecha poço e autua Chevron por produzir enxofre

Por Sabrina Lorenzi

RIO DE JANEIRO (Reuters) – A petroleira norte-americana Chevron recebeu novas punições do órgão regulador brasileiro por omissão de informação, desta vez por não relatar que estava produzindo enxofre em um dos seus poços de produção no campo de Frade, o mesmo onde ocorreu o vazamento de petróleo em investigação pelas autoridades brasileiras.

A Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou o fechamento do poço onde foi constatada a produção do gás venenoso, um dos dez poços produtores da empresa naquela região, disse nesta quinta-feira a diretora da reguladora Magda Chambriard.

A ocorrência do gás em reservas de petróleo é comum, mas o erro da empresa foi não ter comunicado o fato à ANP, segundo Magda. “O procedimento normal é não ter o H2S escondido da ANP”, disse, ao ser indagada sobre qual deveria ter sido o procedimento correto da empresa.

Além do poço fechado, com redução da produção de petróleo, a Chevron foi autuada e deverá pagar multa ao governo brasileiro.

A ANP não proíbe a produção de enxofre, mas requer das petroleiras um plano de prevenção com detalhamento sobre o que é feito do enxofre. Não foi detectado vazamento do gás, disse a diretora da ANP.

“As empresas têm de demonstrar as situações de risco que estão enfrentando e que está sendo controlado e minimizado”, afirmou.

A produção de petróleo da Chevron, segundo ela, atingiu 70,5 mil barris por dia em outubro.

A irregularidade não tem relação com o vazamento registrado no campo de Frade, na bacia de Campos, no início do mês, mas expõe a companhia a mais um erro de informação junto ao órgão regulador brasileiro.

É a terceira vez que a Chevron é autuada pela ANP após o vazamento ocorrido no começo do mês de novembro.

Anteriormente, a agência havia decidido aplicar contra a companhia duas multas, no valor de até 50 milhões de reais cada uma.

Uma das atuações foi feita por causa da falta do equipamento necessário ao abandono do poço exploratório após o vazamento, depois que a própria empresa submeteu um plano no qual era citado o aparelho, segundo a ANP.

“Para sanar o problema a ANP teve que aprovar o plano de abandono do poço no domingo, em caráter de emergência que a situação merecia, mas o plano não pôde ser aplicado porque a própria Chevron não tinha o equipamento e então nos colocamos numa situação de ter que aprovar um segundo plano de abandono que não trazia as mesmas possibilidades técnicas que o primeiro, ficando nós então em situação pior para abandonar o poço do que estávamos antes”, afirmou Magda.

Outro problema que levou a mais uma autuação foi o corte nas imagens do vazamento que a agência solicitara à Chevron, segundo Magda.

No último dia 23, a Chevron teve suspensas as suas atividades de exploração no Brasil pela ANP.

A investigação sobre as causas do acidente devem levar pelo menos três meses, segundo Magda.

Segundo ela, o vazamento continua, com gotejamento proveniente das fraturas do fundo do mar.

Ela não arrisca um prazo para o fim definitivo do vazamento: “Prefiro aguardar a natureza. Esse vazamento aconteceu a partir de um problema no poço mas que extrapolou o poço e que foi aparecer através de fraturas geológicas no solo marinho. A geologia traz algumas incertezas”.