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Anglo American vê demanda aquecida por minério até 2030

Por Sabrina Lorenzi

BRASÍLIA (Reuters) – A demanda mundial por minério de ferro continuará aquecida pelo menos pelas próximas duas décadas, com um crescimento da ordem de 39 por cento até 2020, projeta a mineradora Anglo American.

“Nossos estudos indicam que o consumo vai cair somente após 2030”, afirmou na noite de quarta-feira o diretor comercial da Unidade de Minério de Ferro da empresa no Brasil, Paulo Castellari. O executivo estima um aumento anual de 3,4 por cento da demanda mundial de minério nesta década.

O desafio da indústria da mineração “será encontrar fontes de minério de ferro para atender a este mercado”, disse o executivo, durante apresentação do projeto Minas-Rio a jornalistas.

Maior projeto da Anglo American no Brasil, o projeto Minas-Rio deverá ser ampliado no futuro, de acordo com o presidente da mesma unidade de negócio, Stephan Weber.

O projeto foi concebido para uma capacidade de produção de 26,5 milhões de toneladas por ano, com início de operação previsto para o segundo semestre de 2013. O volume equivale a cerca de 30 por cento do total de minério de ferro produzido pela empresa no mundo.

“Continuamos avaliando a expansão, estamos furando”, disse Weber, referindo-se aos trabalhos geológicos que deverão respaldar estimativas que apontam para um potencial de produção de 80 milhões de toneladas ao ano.

Os executivos afirmaram que está progredindo a construção da planta e do mineroduto que transportará o insumo de Minas Gerais para o litoral do Rio de Janeiro.

Segundo Weber, as licenças para erguer o gigantesco mineroduto de 525 quilômetros estão em dia. Estão prontos 187 quilômetros e daqui para frente as obras devem seguir ritmo mais rápido, porque o trabalho mais difícil, segundo ele, já passou.

A empresa conseguiu negociar com mais de 90 por cento dos proprietários de terras por onde passará o mineroduto. O duto atravessa 32 municípios mineiros e fluminenses, da mina ao Porto do Açu, onde os embarques de minério serão realizados.

“Em alguns casos extremos, como de famílias que possuem entes queridos enterrados por onde passaria o mineroduto, tivemos de desviar”, afirmou.