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Angela Merkel, cada vez mais criticada por partidários

Por Por Aurelia End - 24 ago 2011, 16h32

A ministra do Trabalho cobiça o ouro dos países em dificuldades, o presidente da República ataca o BCE: a política europeia da chefe do governo alemão, Angela Merkel, é alvo de crescentes críticas dentro de seu próprio partido.

O último golpe ocorreu nesta quarta-feira, quando o presidente Christian Wulff ultrapassou os limites de sua função puramente honorífica para atacar o Banco Central Europeu.

Membro da conservadora União Democrata Cristã (CDU) de Angela Merkel e cujo posto se deve à chanceler, Wulff considera “discutível do ponto de vista legal a compra de títulos de alguns países”, entre eles Espanha e Itália, pelo BCE.

“No longo prazo, não pode resultar em nada bom”, disse Wulff, em um discurso diante de vencedores do prêmio Nobel de economia reunidos em Lindau (sul).

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O porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, disse nesta quarta-feira que o governo “não se manifesta sobre o BCE nem para cumprimentá-lo nem para criticá-lo”.

Estas declarações chegam em um momento em que a chanceler deve reunir suas tropas para aprovar a ampliação de competências do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), entre elas a de comprar títulos da dívida pública dos Estados em dificuldades no mercado secundário, tirando essa incumbência do BCE.

O voto dos deputados do Bundestag está previsto para 23 de setembro.

Alguns deputados conservadores, entre eles pesos pesados como o presidente da Comissão de Assuntos Internos, Wolfgang Bosbach, criticam essa reforma.

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Para complicar as coisas, Merkel, que na terça-feira submeteu-se a um exame de política europeia de mais de três horas por seus deputados conservadores, teve que puxar a orelha de sua ministra do Trabalho, Ursula von der Leyen.

Esta declarou que era favorável a fazer com que as reservas de ouro ou as participações industriais dos países em dificuldades sirvam de garantia para os países que contribuíssem com o Feef.

Berlim esforça-se precisamente para impedir acordos bilaterais como o alcançado entre Finlândia e Grécia, disposta a conceder ao país nórdico uma fiança em troca da ajuda financeira de Helsinki, o que começou a ser pedido por outros países.

Exigir garantias materiais em troca de uma ajuda “não leva a lugar algum”, disse nesta quarta-feira o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, apesar de ter afirmado que não houve “trocas” de opiniões nesse sentido no Conselho de Ministros, e assegurou que a titular do Trabalho e a chanceler “dividem a mesma opinião”.

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Mesmo se a reforma do Feef contar com maioria, como assegura o líder dos deputados conservadores, Volker Kauder, os ânimos estão acirrados, como demonstrou nesta quarta-feira o jornal Handelsblatt.

O jornal econômico assegurou que os textos que ampliam os poderes dos que cada vez mais se parece com um “Fundo Monetário Europeu” foram redigidos de tal forma que o Parlamento, tradicionalmente soberano em matéria orçamentária na Alemanha, “apenas terá um mero papel de espectador”.

O presidente Wulff declarou nesta quarta-feira que “é o Parlamento que deve adotar as decisões, já que é aqui que está a legitimidade”.

O mesmo apelo à ordem poderá ocorrer em 7 de setembro por parte do Tribunal Constitucional, que deve anunciar uma decisão muito esperada sobre a primeira ajuda à Grécia da primavera de 2010, e mais amplamente sobre os mecanismos de ajuda na Europa.

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Na opinião dos especialistas, os juízes poderão exigir que os procedimentos de ajuda considerem um papel mais importante do Parlamento.

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