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ANÁLISE-Siderurgia caminha para mais um duro ano em 2012

Por Da Redação 13 jan 2012, 13h37

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO, 13 Jan (Reuters) – O setor siderúrgico brasileiro deve ter mais um ano duro pela frente em 2012, principalmente no segmento de aços planos, enquanto a combinação difícil de custos elevados de insumos e preços de aço estagnados persiste em meio às incertezas sobre a economia global.

A avaliação de analistas consultados pela Reuters é que a importação de aço e, principalmente, de produtos acabados que usam aço, como carros, seguirá guilhotinando qualquer tentativa de alta mais consistente nos preços.

O viés positivo é que após o fraco desempenho industrial do final de 2011, o governo acene com medidas de incentivo à economia como redução de juros, o que pode melhorar a demanda e o resultado das siderúrgicas a partir do segundo semestre.

Segunda metade do ano apenas porque os sinais apresentados neste mês não dão motivos para analistas acreditarem em força na demanda ao menos até junho.

Esta semana, por exemplo, o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, Carlos Loureiro, afirmou à Reuters que o volume de encomendas feitas às siderúrgicas está abaixo do esperado, indicando um primeiro trimestre mais fraco que o normal para o setor.

Outro motivo de preocupação são as chuvas que atingem Minas Gerais e que estão prejudicando a produção e o transporte de minério de ferro, item que há vários trimestres tem ajudado nos resultados das siderúrgicas, principalmente da CSN.

A Vale declarou força maior na quarta-feira e a Usiminas informou na quinta-feira que teve de aumentar transporte terrestre após interrupções de ferrovias.

A CSN, cujas operações de mineração são concentradas em Minas Gerais, informou que o volume de minério que deixou de ser embarcado “não é grande e não impacta estimativas da empresa”.

“O quarto trimestre mostrou desaceleração da indústria, a economia sentiu os efeitos da política monetária”, disse o analista Rafael Weber, da corretora Geração Futuro.

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“Podemos ter, talvez, se a atividade se recuperar no Brasil e não tivermos um aprofundamento da crise lá fora, um segundo semestre de resultados melhores, com impacto positivo da queda do juros”, acrescentou.

Para a corretora Ativa, que assim como o JP Morgan reduziu este mês seus preços-alvos para as ações do setor, 2012 será mais um ano “desafiador” para as siderúrgicas locais em que não se espera nenhum reajuste no preço significativo do aço no mercado interno.

PREFERIDA

A preferência do mercado, segundo avaliação dos analistas, recai sobre as ações da Gerdau, pela exposição da empresa ao setor de aços longos, favorecido pelos investimentos do país em infraestrutura e sinais de recuperação nos Estados Unidos. Em 2011, a ação da empresa acumulou queda de quase 35 por cento.

Para a analista Daniella Maia, da Ativa, outro fator de preferência pela Gerdau é a divulgação prevista para este semestre do plano de monetização das reservas de minério de ferro do grupo, que já é 70 por cento autossuficiente na commodity e poderá usar excedente para exportar.

O cenário muda de figura no caso da Usiminas, que viu recuo de 45 por cento no preço de sua ação preferencial em 2011.

“Quem está posicionado em Usiminas, acho que já está mais do que na hora de sair desse papel. Deu um rali no final do ano passado e quem conseguiu sair ótimo, quem não conseguiu melhor realizar prejuízo”, disse a analista, citando o fraco desempenho operacional da empresa que tenta melhorar sua estrutura de custos para ganhar competitividade.

Sobre CSN, cuja ação perdeu mais de 40 por cento no último ano, a analista afirmou que há riscos embutidos na empresa sobre o projeto de expansão da mina de minério de ferro de Casa de Pedra, que sofre atrasos diante da demora de ampliação de porto exportador, e o papel da companhia na Usiminas, depois de seguidas compras de ações da rival, opinião também compartilhada pelo Morgan Stanley.

INCERTEZA

Apesar do Instituto Aço Brasil (IABr) ter divulgado no final de 2011 expectativa de aumento das vendas de aço no país de 8,4 por cento sobre 2010, para 23,3 milhões de toneladas, e produção avançando 6 por cento, a 37,5 milhões, os números podem não se confirmar diante da volatilidade pela qual o setor atravessa.

“É uma previsão que provavelmente deve ser revista este ano. Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer… No primeiro semestre, o setor deve repetir o que vimos no quarto trimestre: por mais que a importação de aço tenha diminuído, a pressão tende a continuar grande”, afirmou o analista Victor Penna, do Banco do Brasil.

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