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ANÁLISE-Consumo no Brasil crescerá em 2012, mas em ritmo lento

Por Da Redação - 13 jan 2012, 13h40

Por Vivian Pereira e Brad Haynes

SÃO PAULO, 13 Jan (Reuters) – Ainda sob o peso da desaceleração da economia em 2011, o varejo doméstico está se apoiando em um cenário de aumento do salário mínimo, juros menores e aumento da oferta de crédito para traçar uma perspectiva de retomada da aceleração das vendas este ano.

Mas, embora a expectativa seja de uma melhora progressiva em 2012, o ambiente ainda deve ser desafiador para as empresas ligadas ao consumo como um todo.

As varejistas de vestuário -especialmente as que dependem mais de crédito para vender- foram as mais afetadas ao longo do ano passado, com as vendas prejudicadas por preços mais altos decorrentes da disparada da cotação do algodão, além de certa transferência de gastos para itens da linha branca, que contou com incentivos do governo.

Segundo a Alshop, entidade que representa os lojistas de shoppings no país, o segmento de vestuário fechou 2011 com o pior resultado entre os setores de consumo, tendo apurado alta de apenas 2 por cento nas vendas no período de Natal -de 15 de novembro a 24 de dezembro- sobre igual etapa do ano anterior e mostrando estabilidade no resultado anual.

O desempenho foi atribuído à alta do preço do algodão que, entre abril e maio, chegou a subir mais de 20 por cento, com o repasse desses custos ao consumidor pesando sobre as vendas.

“Estamos entrando em 2012 com uma perspectiva fraca, especialmente para o varejo de vestuário”, afirmou o analista Guilherme Assis, do Raymond James, que revisou as estimativas para o setor duas vezes em dezembro. “As estimativas estão incorporando esse cenário de começo de ano mais fraco e acho que o consenso está caminhando para isso.”

Na visão do Bank of America Merrill Lynch, os consumidores estão comprando cada vez mais conforme a necessidade, além de buscarem descontos e promoções.

De fato, no Natal, o faturamento dos shoppings brasileiros cresceu 5,5 por cento ano a ano, ficando abaixo da estimativa da Alshop, de alta de 6,5 por cento. Para a entidade, as notícias negativas sobre a economia também pesaram sobre o resultado.

“Algumas empresas fizeram projeções muito fortes e tiveram de equilibrar seus orçamentos, já que as vendas não saíram como previsto”, disse o sócio da consultoria em varejo GS&MD Gouvêa de Souza, Luiz Góes.

As vendas aquém do esperado em 2011 impactaram as operações de varejistas como a Marisa Lojas. A companhia demitiu 239 funcionários da área administrativa no início de dezembro e implantou um plano de eficiência.

“Esperamos um ano melhor… O aumento do salário mínimo vai ajudar a impulsionar o consumo”, disse o diretor de Relações com Investidores da Marisa, Paulo Borsatto, no mês passado.

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Por outro lado, o segmento de linha branca tem sido beneficiado por incentivos do governo como a desoneração de impostos, o que não necessariamente deve fazer com que os resultados das empresas voltadas a esse setor sejam muito melhores que os das varejistas de vestuário.

“Esperamos um resultado bom para as companhias mais focadas em linha branca, pois a medida do governo foi uma reação a um cenário de desaceleração de vendas significativo”, assinalou um analista que preferiu não se identificar.

Ainda sobre as medidas de incentivo ao consumo, Assis, do Raymond James, ponderou que os efeitos levam tempo para serem vistos.

“A perspectiva deste ano é começar mais fraco do que foi o ano passado, mas melhorando ao longo do tempo, dependendo de como o cenário internacional se desenrolar e afetar o mercado brasileiro”, disse, referindo-se aos desdobramentos da crise de dívida soberana na Europa.

INCENTIVOS

Buscando reverter a tendência de esfriamento da economia, o governo anunciou no início de dezembro uma série de medidas para estimular investimentos e consumo. Entre as ações tomadas, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) caiu de 4 por cento para zero para fogões e de 15 para 5 por cento para refrigeradores e congeladores.

Em contrapartida, o consumidor, pelo forte crescimento verificado no crédito nos últimos anos, está mais endividado. Segundo a Serasa, o nível de inadimplência em 2011 foi o maior em nove anos.

Apesar disso, as concessões de crédito aos consumidores devem continuar crescendo em 2012, mas em ritmo mais lento que o visto no ano passado, também conforme a entidade.

“Apesar da desaceleração (das vendas), o resultado pode ser bom. A base de comparação é muito forte”, disse a analista Mariana Oliveira, da Tendências Consultoria, sobre o desempenho esperado das varejistas.

“De forma geral, setores como móveis, eletrodomésticos e informática têm sido destaque há algum tempo, com crescimento acima da média do varejo -e devem continuar sendo.”

A Tendências projeta uma ligeira aceleração para o varejo de vestuário em 2012, com crescimento de 5,6 por cento. A expectativa da consultoria é de que as vendas no varejo brasileiro tenham encerrado 2011 com alta de 4,8 por cento, depois do aumento de 10,6 por cento em 2010.

Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que as vendas no varejo aumentaram 1,3 por cento em novembro sobre outubro, a maior taxa desde janeiro de 2011.

(Reportagem adicional de Juliana Schincariol no Rio de Janeiro)

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