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América Latina enfrenta desafio de seguir crescendo em meio à crise mundial

Por Da Redação - 20 jun 2012, 11h47

Madri, 20 jun (EFE).- Após uma década de crescimento, a América Latina enfrenta agora o desafio de continuar sendo uma região emergente em um mundo em crise, um desafio para o qual está habilitada, segundo um relatório realizado pelo Escritório do Economista-Chefe do Banco Mundial.

O estudo bienal foi destrinchado nesta quarta-feira na Casa da América de Madri por Augusto de la Torre, responsável pelo departamento latino-americano desse organismo, que destacou o ‘enorme progresso’ que a região viveu nos últimos dez anos’.

‘A América Latina foi capaz de unir-se aos países emergentes mais dinâmicos, graças a seu crescimento econômico, baseado na exportação de matérias-primas e ao progresso social’, afirmou De LaTorre.

O economista equatoriano ressaltou, como parte desse desenvolvimento, além disso, a redução da pobreza na região a partir de 2003 e o aumento da renda per capita, o que levou a que 73 milhões de latino-americanos saíssem da pobreza nos últimos dez anos.

Também ressaltou a queda dos índices de desigualdade e um forte crescimento da classe média, que agora se situa em torno de 30%, contra 20% de anos anteriores.

‘A desigualdade está aumentando no mundo, e nesse sentido a América Latina se diferenciou do resto das regiões’, disse.

Aos níveis de produção de matérias-primas, o continente somou em seu desenvolvimento, segundo De La Torre, uma importante conexão com o mercado chinês.

‘Nesse cenário, em 2007 e 2008, a América Latina pensou que poderia sair da renda média, se o mundo nos ajudasse’, especificou.

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No entanto – prosseguiu – ‘frente ao fim da instabilidade e da desigualdade, quando a região concentrava suas energias no crescimento, o mundo se retraiu’.

No contexto da crise global, o relatório elaborado pelo Banco Mundial propõe várias hipóteses de crescimento, ‘levando em conta que o mundo não vai entrar em catástrofe’.

Assim, as previsões de desenvolvimento que o estudo traça para a América Latina estão baseadas na certeza de que a Europa e o euro se sustentam, que a China segue crescendo e que os preços das matérias-primas continuam em processo de ascensão ou se mantenham.

‘O mundo não vai ajudar e a volatilidade externa vai ser forte. A situação na Europa se transformou no epicentro dessa vulnerabilidade e incerteza global, mas não só é um problema europeu, é do mundo inteiro’, explicou De La Torre.

O relatório parte da ideia de que os países que mais se integraram na economia global são também os que estão mais expostos.

‘Mas estar exposto não o torna mais vulnerável’, disse o economista, que detalhou que existem países como Brasil, México, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai que, ‘apesar da alta exposição, também já possuem capacidade de resposta, o que é encorajador’.

Por outro lado, lembrou, países centro-americanos e do Caribe, além de Equador e Venezuela, estão ‘altamente expostos, mas são vulneráveis, e deveriam melhorar sua capacidade de reação para se tornarem mais resistentes’.

Em geral, concluiu De La Torre, o relatório informa que a América Latina enfrenta ‘grandes nuvens externas’, mas ‘desenvolveu capacidade de defesa e pode seguir progredindo’. EFE

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