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América Latina emerge como ‘outra’ após crise mundial, dizem ex-presidentes

Caracas, 10 mar (EFE).- A América Latina emerge como ‘outra’ depois da crise mundial, transformada em uma região ‘extraordinariamente atrativa’ e com um potencial ‘muito grande’, destacaram neste sábado os ex-presidentes Ricardo Lagos (Chile) e Felipe González (Espanha).

Durante uma entrevista coletiva concedida antes de um fórum organizado em Caracas e do qual também participará o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os ex-dirigentes reivindicaram uma maior regulação para o sistema financeiro internacional.

‘Pela primeira vez podemos dizer que desta crise somos inocentes. Estávamos acostumados que as crises começassem em nossa América Latina’, afirmou Lagos, que considerou que a região ‘emerge desta crise como outra’.

O ex-governante chileno não descartou que, por ter tido tantas crises, ‘algo tenha sido aprendido’ na região e afirmou que, desta vez, a América Latina exibiu ‘um sistema financeiro mais bem regulado’.

González, por sua vez, considerou que a América Latina se transformou novamente em uma região ‘extraordinariamente atrativa’ e declarou que esta é a época da Ásia e da América Latina.

‘Para a Espanha, a presença na América Latina tinha um nível de risco que ninguém queria assumir há 20 anos. Hoje, e tomara que os próprios espanhóis se deem conta, é uma bênção’, ressaltou González, que apontou que a ‘região tem um potencial extraordinário no presente e no futuro’.

Já FHC lembrou o manejo da hiperinflação no Brasil e afirmou que frente a este problema ‘os pobres são os que pagam o custo do desatino dos que mandam’.

Consultado sobre o tema do fórum, denominado ‘Palavras para a Venezuela’, o ex-presidente se referiu à democracia como uma ‘forma de regular o que pode e o que não pode’.

‘A democracia é principalmente uma regra que assegura aos que perdem sua oportunidade de ganhar’, sentenciou FHC.

Os ex-governantes aproveitaram sua presença no país para desejar a pronta recuperação do presidente Hugo Chávez, que se recupera em Havana de uma operação que realizou em 26 de fevereiro após ter um novo tumor detectado. EFE