Ameaça de Trump contra Espanha derruba Bolsa de Madri
Presidente americano defende suspensão das relações após governo espanhol impedir uso de espaço aéreo em ofensiva contra o Irã
As ações das principais empresas espanholas fecharam em forte queda nesta quarta-feira, 8, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar interromper as relações comerciais com a Espanha durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia.
A declaração ocorreu depois que o governo espanhol decidiu fechar seu espaço aéreo para aeronaves americanas envolvidas nas operações militares contra o Irã, episódio que aprofundou o desgaste diplomático entre Washington e Madri.
“Não queremos mais fazer negócios comerciais com a Espanha. Não quero mais nada com a Espanha. Cortem todo o comércio com a Espanha, por favor”, afirmou Trump.
Embora não tenha detalhado quais medidas pretende adotar nem mencionado eventual abertura de investigações comerciais, a fala foi suficiente para provocar uma reação imediata dos mercados financeiros.
Bancos lideram perdas na Bolsa
O principal índice da Bolsa de Madri, o IBEX 35, encerrou o pregão com queda de 2,7%, refletindo o aumento da aversão ao risco entre investidores.
Os bancos foram os papéis mais penalizados.
O Banco Santander recuou cerca de 5%, enquanto o BBVA perdeu aproximadamente 3,6%.
O setor financeiro costuma ser um dos mais sensíveis a riscos políticos e comerciais, especialmente quando envolvem grandes parceiros econômicos como Estados Unidos e União Europeia.
Conflito no Irã amplia atritos diplomáticos
A ameaça de Trump ocorre em meio às consequências da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, conflito que vem produzindo efeitos econômicos muito além do Oriente Médio.
Segundo autoridades americanas, a Espanha restringiu o uso de seu espaço aéreo por aeronaves militares dos Estados Unidos durante parte das operações relacionadas ao conflito, decisão que desagradou a Casa Branca.
Nos últimos dias, Trump tem aumentado a pressão sobre aliados da OTAN para que ofereçam maior apoio às ações militares americanas e elevem seus investimentos em defesa.
A declaração contra Madri representa mais um episódio da estratégia do presidente de utilizar ameaças comerciais como instrumento de pressão diplomática.
Espanha reage e lembra regras da União Europeia
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, procurou minimizar o impacto das declarações.
Segundo ele, a relação bilateral entre Espanha e Estados Unidos continua sendo “muito positiva”.
Sánchez também ressaltou que eventuais negociações comerciais não podem ser conduzidas individualmente pela Espanha, já que a política comercial do país é definida pela União Europeia.
Na prática, qualquer alteração relevante nas relações comerciais entre Estados Unidos e Espanha dependeria de negociações entre Washington e Bruxelas, e não apenas de decisões bilaterais.
Retórica pode aumentar incerteza nos mercados
Embora ainda não exista qualquer medida formal anunciada pelo governo americano contra produtos espanhóis, analistas avaliam que a retórica de Trump tende a aumentar a volatilidade dos mercados.
Desde seu retorno à Casa Branca, o presidente tem adotado uma postura mais agressiva nas relações comerciais internacionais, utilizando tarifas e ameaças de restrições econômicas como ferramenta de negociação em disputas diplomáticas e geopolíticas.
No caso espanhol, investidores temem que uma eventual escalada do conflito possa afetar empresas com forte presença internacional, especialmente bancos, grupos industriais e exportadores que mantêm operações relevantes nos Estados Unidos.
Por enquanto, a reação mais concreta permanece restrita aos mercados financeiros, mas as declarações aumentam a pressão sobre as relações entre Washington e um dos principais integrantes da União Europeia, em um momento de elevada instabilidade geopolítica e econômica global.







