ASSINE VEJA NEGÓCIOS

Ameaça de Trump contra Espanha derruba Bolsa de Madri

Presidente americano defende suspensão das relações após governo espanhol impedir uso de espaço aéreo em ofensiva contra o Irã

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jul 2026, 13h42 | Atualizado em 8 jul 2026, 14h35
Ameaça de Trump contra Espanha derruba Bolsa de Madri Priorizar nos meus resultados Google

As ações das principais empresas espanholas fecharam em forte queda nesta quarta-feira, 8, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar interromper as relações comerciais com a Espanha durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia.

A declaração ocorreu depois que o governo espanhol decidiu fechar seu espaço aéreo para aeronaves americanas envolvidas nas operações militares contra o Irã, episódio que aprofundou o desgaste diplomático entre Washington e Madri.

“Não queremos mais fazer negócios comerciais com a Espanha. Não quero mais nada com a Espanha. Cortem todo o comércio com a Espanha, por favor”, afirmou Trump.

Embora não tenha detalhado quais medidas pretende adotar nem mencionado eventual abertura de investigações comerciais, a fala foi suficiente para provocar uma reação imediata dos mercados financeiros.

Bancos lideram perdas na Bolsa

O principal índice da Bolsa de Madri, o IBEX 35, encerrou o pregão com queda de 2,7%, refletindo o aumento da aversão ao risco entre investidores.

Continua após a publicidade

Os bancos foram os papéis mais penalizados.

O Banco Santander recuou cerca de 5%, enquanto o BBVA perdeu aproximadamente 3,6%.

O setor financeiro costuma ser um dos mais sensíveis a riscos políticos e comerciais, especialmente quando envolvem grandes parceiros econômicos como Estados Unidos e União Europeia.

Continua após a publicidade

Conflito no Irã amplia atritos diplomáticos

A ameaça de Trump ocorre em meio às consequências da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, conflito que vem produzindo efeitos econômicos muito além do Oriente Médio.

Segundo autoridades americanas, a Espanha restringiu o uso de seu espaço aéreo por aeronaves militares dos Estados Unidos durante parte das operações relacionadas ao conflito, decisão que desagradou a Casa Branca.

Continua após a publicidade

Nos últimos dias, Trump tem aumentado a pressão sobre aliados da OTAN para que ofereçam maior apoio às ações militares americanas e elevem seus investimentos em defesa.

A declaração contra Madri representa mais um episódio da estratégia do presidente de utilizar ameaças comerciais como instrumento de pressão diplomática.

Espanha reage e lembra regras da União Europeia

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, procurou minimizar o impacto das declarações.

Continua após a publicidade

Segundo ele, a relação bilateral entre Espanha e Estados Unidos continua sendo “muito positiva”.

Sánchez também ressaltou que eventuais negociações comerciais não podem ser conduzidas individualmente pela Espanha, já que a política comercial do país é definida pela União Europeia.

Na prática, qualquer alteração relevante nas relações comerciais entre Estados Unidos e Espanha dependeria de negociações entre Washington e Bruxelas, e não apenas de decisões bilaterais.

Continua após a publicidade

Retórica pode aumentar incerteza nos mercados

Embora ainda não exista qualquer medida formal anunciada pelo governo americano contra produtos espanhóis, analistas avaliam que a retórica de Trump tende a aumentar a volatilidade dos mercados.

Desde seu retorno à Casa Branca, o presidente tem adotado uma postura mais agressiva nas relações comerciais internacionais, utilizando tarifas e ameaças de restrições econômicas como ferramenta de negociação em disputas diplomáticas e geopolíticas.

No caso espanhol, investidores temem que uma eventual escalada do conflito possa afetar empresas com forte presença internacional, especialmente bancos, grupos industriais e exportadores que mantêm operações relevantes nos Estados Unidos.

Por enquanto, a reação mais concreta permanece restrita aos mercados financeiros, mas as declarações aumentam a pressão sobre as relações entre Washington e um dos principais integrantes da União Europeia, em um momento de elevada instabilidade geopolítica e econômica global.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).