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Alphabet: por que as ações da dona do Google desabam após empresa triplicar o lucro?

Empresa reporta fluxo de caixa negativo em meio aos gastos com inteligência artificial, o que decepciona o mercado

Bruno AndradePor Bruno Andrade Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jul 2026, 09h05 | Atualizado em 23 jul 2026, 11h59
Alphabet: por que as ações da dona do Google desabam após empresa triplicar o lucro? Priorizar nos meus resultados Google

As ações da Alphabet, controladora do Google, caem nesta quinta-feira, 23, mesmo após a companhia registrar um salto de 298% no lucro do segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. Embora o resultado tenha superado as expectativas, investidores reagiram negativamente ao fluxo de caixa livre negativo e ao aumento da projeção de investimentos em inteligência artificial, reforçando dúvidas sobre o ritmo de retorno financeiro desses aportes.

Por volta das 11h20, as ações da companhia derretiam 7,1%, cotadas a 317,76 dólares. No ano, as papéis da Alphabet sobem 0,56%. Se a reação do mercado fosse baseada apenas no lucro, o movimento seria oposto. A companhia reportou lucro líquido ajustado de 112 bilhões de dólares no segundo trimestre, ante 28,2 bilhões de dólares no mesmo período de 2025.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelo crescimento de 82% da receita do Google Cloud, divisão de computação em nuvem da empresa. A receita com publicidade no mecanismo de busca Google também avançou 17% na comparação anual.

No entanto, o mercado costuma olhar além do lucro trimestral. Em um momento em que as gigantes de tecnologia destinam bilhões de dólares à inteligência artificial, investidores buscam sinais concretos de rentabilidade desses investimentos — e os números apresentados pela Alphabet não foram suficientes para dissipar essas dúvidas.

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A companhia encerrou o trimestre com fluxo de caixa livre negativo de 5,8 bilhões de dólares, revertendo o saldo positivo de 10,1 bilhões de dólares registrado no primeiro trimestre. A deterioração de aproximadamente 15 bilhões de dólares no ano de 2026 foi atribuída ao aumento dos investimentos em infraestrutura para inteligência artificial e acabou frustrando parte do mercado.

A reação piorou após a Alphabet elevar sua projeção de investimentos para 2026. A empresa passou a estimar desembolsos entre 195 bilhões de dólares e 205 bilhões de dólares, acima da faixa anterior, de 180 bilhões de dólares a 190 bilhões de dólares para o acumulado de 2026.

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O aumento dos investimentos foi interpretado como um sinal de que os elevados gastos com inteligência artificial devem continuar por mais tempo. Embora o mercado reconheça o potencial da tecnologia para transformar os negócios da companhia, parte dos investidores esperava que os resultados deste trimestre começassem a mostrar um retorno financeiro mais consistente sobre esses aportes.

Com isso, cresce o questionamento sobre se a forte valorização acumulada das ações da Alphabet ainda encontra respaldo nos fundamentos da empresa ou se parte desse prêmio embute expectativas elevadas demais para os resultados futuros da estratégia de inteligência artificial.

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