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Allianz compra parte da operação da SulAmérica por R$ 3 bilhões

Presidente da SulAmérica destacou a VEJA que foco da empresa, agora, é na composição de riscos pessoais como odontologia e saúde

Em comunicado ao mercado na manhã desta sexta-feira, 23, a seguradora SulAmérica informou que vendeu por 3 bilhões de reais sua operação no setor de automóveis e ramos elementares (cobertura para roubos, imóveis, incêndio) para a concorrente Allianz Seguros.

Segundo a SulAmérica, a venda insere-se no posicionamento estratégico de concentração dos esforços nos segmentos de saúde, odontologia, vida e previdência, que representaram 85% de seu faturamento no primeiro semestre de 2019. Segundo Gabriel Portela, presidente da companhia, o grande ponto da transação é a criação “de sinergia para esse tipos de negócios”, disse ele a VEJA. 

A conclusão da venda está condicionada a aprovação prévia dos órgãos reguladores e anticoncorrenciais competentes, como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o que pode levar cerca de doze meses.

De acordo com Portela, o interesse inicial partiu da Allianz. “Nossa vida estava normal. Seguindo nosso fluxo de crescimento. Quando apareceu o interesse da Allianz. E não só o interesse financeiro, mas na nossa forma de fazer negócios”, afirma ele.

Para os atuais clientes da SulAmérica, nada muda. A companhia informou que até a conclusão da transação, as partes continuarão a conduzir seus negócios de forma independente uma da outra. Portanto, clientes, corretores, assessorias, fornecedores, colaboradores e demais partes interessadas não devem esperar quaisquer alterações na administração, relações comerciais, fornecimento e oferta de produtos.

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Um dos compromissos assumidos no contrato de venda foi a criação de uma nova seguradora. A união desta nova companhia com a Allianz, atualmente a terceira maior seguradora do mundo, resultará na segunda maior seguradora de automóveis no Brasil. Segundo Portela, a nova seguradora funcionará como uma espécie de joint venture e deverá começar a operar em até 12 meses. Ela funcionará de forma independente enquanto as tratativas se concretizam e depois se juntará a Allianz.

Em ranking de 2018 do Sindicato dos Corretores de Seguro, divulgado anualmente, a SulAmérica aparece na segunda colocação, com 12,7% de participação do setor no país. A Allianz é a 10ª, com 2,35%.

Em nota, a Allianz explicou que vê o mercado de automóveis e ramos elementares no país como uma grande oportunidade e que transação deve ajudar a operação no Brasil da empresa a crescer.

Negociações com Itaú e Caixa

Portela também comentou as negociações da empresa com para acordos corporativos principalmente para planos de riscos pessoais. “Temos uma série de parcerias comerciais, como esse que apareceu na mídia. Oportunidades de mercado aparecem todo dia e não são necessariamente de aquisição. Queremos explorar melhor o segmento individual. Nós não temos nenhum conversa estratégia”, afirmou ele.

Dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros mostram que o setor de ramos elementares, envolvido nas negociações, arrecadou 74,8 bilhões de reais em 2018 no Brasil, crescimento de 5,6% em relação ao ano anterior. Já o ramo de saúde suplementar, principal no setor de seguros no país, teve arrecadação de 199,5 bilhões de reais, alta de 9,8% ante 2017.