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Alívio externo puxa DIs, mas mantém leitura sobre Copom

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – O alívio externo provocado por dados positivos dos Estados Unidos e pela expectativa de que os ministros das Finanças da zona do euro proponham ações que minimizem a possibilidade de uma recessão mais forte na região impôs leve viés de alta às taxas projetadas pelos juros futuros, especialmente nos vencimentos mais longos. Ontem, o mercado de juros havia devolvido prêmios devido à revisão da metodologia de cálculo do IPCA, que deve provocar um comportamento mais comedido do índice em 2012. E, neste primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), os agentes seguem firmes na aposta de que a Selic será cortada em 0,5 ponto porcentual, terminando o ano em 11%.

Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2012 (275.790 contratos) estava em 10,883%, de 10,91% no ajuste. O DI janeiro de 2013, com giro de 206.460 contratos, marcava 9,68%, nivelado ao ajuste de ontem. O DI janeiro de 2014 (127.200 contratos) subia a 9,93%, de 9,92%. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (43.075 contratos) indicava 10,75%, de 10,72% na véspera, e o DI janeiro de 2021 (9.820 contratos) avançava para 10,94%, de 10,89% no ajuste.

Na Europa, o ministro de Finanças da França, François Baroin, disse hoje que existe “uma boa chance” de a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) ser alavancada para 1 trilhão de euros. Já o ministro de Finanças da Bélgica, Didier Reynders, disse que o Eurogrupo deve apresentar propostas sobre o envolvimento do Banco Central Europeu (BCE) no combate à crise da dívida no bloco.

Questionado sobre se os ministros vão sugerir que o BCE empreste recursos ao Fundo Monetário Internacional (FMI), Reynders disse: “nós vamos colocar algumas propostas na mesa”. Entretanto, o representante belga lembrou que o BCE é uma instituição independente e que cabe ao conselho executivo do banco tomar uma decisão. A ideia de o BCE emprestar ao FMI agrada o mercado, mas encontra forte resistência da Alemanha, por exemplo.

Nos EUA, o índice de confiança do consumidor surpreendeu ao subir para 56,0 em novembro, do dado revisado de 40,9 em outubro (cuja leitura inicial era 39,8). O resultado superou em muito a expectativa dos analistas, de 45. E depois de uma Black Friday positiva a esperança é que o ânimo dos consumidores norte-americanos consiga dar novo fôlego à economia. Até mesmo porque o índice de expectativa dos consumidores sobre a atividade econômica nos próximos seis meses avançou para 67,8 em novembro, do dado revisado de 50,0 em outubro (reportado originalmente como 48,7).

Internamente, a agenda de indicadores ficou restrita ao IGP-M, que desacelerou para 0,50% em novembro, de 0,53% no mês passado, mas ficou levemente acima da mediana encontrada pelo AE Projeções (0,46%).