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Alimentos especializados puxam o crescimento da indústria

Produtos com vitaminas ou para alérgicos, destinados a bebês ou idosos, representam a categoria cujas vendas mais crescem na indústria de alimentos

A preocupação crescente de consumidores com a saúde impacta cada vez mais os planos estratégicos das maiores empresas de alimentos do mundo. As categorias de produtos nutricionais, enriquecidos com vitaminas ou voltados para pessoas alérgicas, crescem a um ritmo superior ao da média do mercado de alimentos ou das próprias companhias. São alimentos industrializados voltados para bebês e crianças e para as pessoas idosas.

No segundo semestre do ano passado, 5,9 milhões de domicílios no Brasil, o equivalente a 10% do total do país, compraram suplementos, tais como vitaminas e produtos com calcio, segundo dados da Kantar, uma das maiores consultorias do mundo especializada em hábitos de consumo. É um grupo que tem aumentado ao longo dos anos.

A mudança de comportamento dos consumidores motiva também rearranjos organizacionais para buscar atender melhor esse segmento de mercado. Foi o que aconteceu com a francesa Danone, que acaba promover a fusão de duas divisões – a voltada para a nutrição infantil (a Early Life Nutrition) e a de alimentos especializados (Advanced Medical Nutrition) -, resultando na nova Danone Nutricia. A operação da empresa no Brasil foi a pioneira nesse movimento do mundo.

“As pessoas buscam alimentos que fortaleçam a saúde. Isso vale para pais preocupados com suas crianças e para o que chamamos de envelhecimento saudável”, afirma Edson Higo, presidente da Danone Nutricia. A divisão nasce com mais de 220 produtos, voltados para pessoas com restrições alimentares ou enriquecidos com nutrientes. “É um portfólio voltado a entender as necessidades conforme as fases da vida de uma pessoa.”

As vendas da Danone Nutricia, consolidados os resultados das duas divisões, tiveram um crescimento de 5,9% no ano passado, o dobro da taxa de expansão da empresa como um todo. Em receitas, a nova divisão da companhia francesa fica atrás apenas da tradicional unidade de negócio que reúne os iogurtes, com algumas de suas marcas mais conhecidas.

O impacto sobre as gigantes de alimentos é motivado também pelas mudanças demográficas, dos quais o principal é o envelhecimento da população. Há 900 milhões de pessoas com 60 anos ou mais no mundo, o que representa um aumento de 50% em relação ao início do século, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Esse contingente vai mais do que dobrar, para 2,1 milhões de pessoas, até 2050, de acordo com estimativas da população.

Na suíça Nestlé, a categoria conhecida como Nutrição e Ciência da Saúde (Nutrition & Health Science em inglês) foi a que mais cresceu no ano passado, a um ritmo de 4,6%. Ela já representa a segunda maior fonte de receita do grupo, atrás apenas da divisão que reúne as bebidas à base de café (com marcas consagradas como a Nespresso) e chás.