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Alimentação e moradia respondem por mais da metade da inflação em 2015

Segundo IBGE, IPCA do primeiro semestre chegou a 6,17%, a maior taxa para o período em doze anos

Por Eduardo Gonçalves 8 jul 2015, 14h00

Itens básicos dos gastos das famílias, como alimentação e moradia, representam cerca de 56% do total da inflação acumulada neste ano, cuja taxa chegou a 6,17%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira. O porcentual é o maior registrado para o primeiro semestre em doze anos.

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, o de alimentação e bebidas e o de habitação foram os que tiveram maior reajuste de preços e, por consequência, maior impacto no resultado da inflação. O primeiro subiu 6,61% de janeiro a junho. E o segundo, 12,46% na mesma base de comparação. No acumulado dos últimos doze meses, o avanço é ainda maior, de 9,61% e 17,94%, respectivamente.

Além de pesarem diretamente no bolso da população mais pobre, a alta dos alimentos é reflexo sobretudo do reajuste em produtos comuns na mesa dos brasileiros. A grande vilã é a cebola, com alta de 148% no acumulado do ano. Depois, vem o alho, com avanço de 26,71% e a batata, com incremento de 24,15%. Para explicar os reajustes, produtores alegam que o excesso de chuvas tem prejudicado a safra deste ano.

A coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, avaliou que, apesar de a inflação dos alimentos terem arrefecido em junho, o avanço ainda continua forte e significativo. “Uma alta de 0,63% em alimentos não é um resultado irrisório. Desacelerou, mas não significa que os preços reduziram”.

Por outro lado, alimentos também essenciais para o consumidor, como a carne, têm mostrado alívio nos custos. Para Eulina, isso é reflexo direto da crise econômica: com a alta do desemprego e a queda da massa salarial, os brasileiros estão tentando economizar mais neste ano. “Os frigoríficos têm assinalado acentuada queda da demanda, principalmente na carne de primeira. As carnes de segunda têm mostrado variações bem mais fortes. Isso tem a ver com a questão de renda, muito desemprego. As pessoas deixam de ter sua renda e têm que optar por produtos mais baratos”, avaliou a coordenadora.

Em linha com esse movimento, a alimentação fora de casa tem crescido pouco. No acumulado do ano, ela avançou 5,65%, quase igual à taxa verificada no mesmo período em 2014, de 5,31%. Eulina explica que, para conter os gastos, os brasileiros passaram a fazer as refeições em casa ao invés de ir a restaurantes e bares. “A inflação de alimentos consumidos no domicílio é maior, possivelmente por conta da demanda”, completou.

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Já no grupo de habitação, encontram-se os maiores aumentos dos preços administrados pelo governo (sujeitos a reajustes tributários). O principal deles é sem dúvida a energia elétrica, com alta de 42,03% entre janeiro e junho deste ano. No acumulado dos últimos doze meses, o avanço chega a bater a marca de 58%.

Em seguida, aparece a taxa de água e esgoto, com avanço de 8,72% no semestre. Só em junho, esses tributos tiveram um reajuste de mais de 15% nas regiões metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte, de acordo com o IBGE. Entram ainda no cálculo de habitação os reajustes de preços com condomínio (5,54%), artigos de limpeza (4,66%), aluguel residencial (4,57%) e empregado doméstico (4,47%).

Atrás de alimentação e habitação, o item com maior peso sobre a inflação é o de transporte, que teve alta de 5,10% no ano. Juntos, os três grupos respondem por mais de 70% da inflação deste ano. Transportes tem sido influenciado principalmente pelo reajuste nas tarifas de ônibus, trem e metrô verificada nos principais centros urbanos do país e pelo aumento da gasolina, de 9,24% no semestre.

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(Com Estadão Conteúdo)

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