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‘Alguma tarifa virá’, acreditam economistas sobre audiência nos EUA

A avaliação da postura de Flávio Bolsonaro até agora

Por Veruska Costa Donato 6 jul 2026, 11h49 | Atualizado em 6 jul 2026, 12h22
‘Alguma tarifa virá’, acreditam economistas sobre audiência nos EUA Priorizar nos meus resultados Google

A audiência realizada em Washington sobre a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil reforçou a percepção de que a aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros continua no radar da Casa Branca.

Seção 301

A investigação, baseada na Seção 301 da legislação americana, questiona pontos como o funcionamento do Pix, questões ambientais ligadas ao desmatamento e alegações sobre trabalho análogo à escravidão.

A decisão final sobre a adoção, adiamento ou isenção das tarifas está prevista para o dia 15 de julho.

Impacto

Na avaliação do economista Reinaldo Cafeo, o impacto potencial para a balança comercial brasileira pode variar entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões, atingindo setores importantes da pauta exportadora, como café, suco de laranja, carne bovina, produtos florestais, aço, ferro e equipamentos químicos.

Fragilidade americana

Para ele, parte das justificativas apresentadas pelos americanos é frágil ou baseada em argumentos antigos, enquanto as críticas ao Pix estariam ligadas à proteção das empresas americanas de cartões de crédito.

“O discurso nacionalista do Trump tenta proteger as bandeiras de cartão de crédito que ele enxerga nesse modelo do Pix”, afirmou.

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Dificuldade, mas não impossibilidade

Cafeo avalia que uma isenção completa das tarifas dificilmente será concedida. Segundo ele, o cenário mais provável é uma flexibilização parcial ou até mesmo um adiamento da medida por razões políticas. “Me parece pouco provável que a isenção seja na totalidade” e “dificilmente 100% do que está sendo colocado vai ser ou adiado ou isentado”, destacou o economista ao analisar as possibilidades de negociação entre os dois países.

‘Improvável’

O economista-chefe da Fórum Investimentos, Bruno Perri, compartilha uma visão semelhante e acredita que a reversão ampla das tarifas também é improvável.

As estimativas da instituição apontam que entre 25% e 30% da pauta exportadora brasileira destinada aos Estados Unidos poderá ser atingida, principalmente produtos manufaturados.

“A expectativa é de que não vai ser possível conseguir uma reversão tão grande”, afirmou.

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Prejuízo à economia americana

Perri chama atenção para um efeito que vai além das exportações brasileiras. Segundo ele, as tarifas também tendem a prejudicar a própria economia americana, já que elevam o custo de insumos e produtos utilizados pela indústria local.

“São bens que muitas vezes vão encarecer a estrutura produtiva norte-americana, que também são inflacionários”, explicou.

Para o economista, tarifas de importação acabam pressionando os preços internos e elevando custos para consumidores e empresas nos Estados Unidos.

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Governo negocia com a Casa Branca

Ainda no programa Mercado desta segunda-feira, o repórter de finanças de Veja Negócios, Bruno Andrade, contou que enquanto as negociações seguem em curso, o governo brasileiro reforça sua defesa técnica.

Pix, desmatamento e lei trabalhista

O argumento, segundo Bruno, é de que o PIX oferece tratamento igualitário a empresas nacionais e estrangeiras, que o desmatamento na Amazônia apresentou redução recente e que a legislação trabalhista brasileira é mais rígida do que a americana.

Flávio Bolsonaro

Paralelamente às tratativas diplomáticas, o tema também ganhou forte componente político, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Cafeo lembra que em carta enviada por Flávio Bolsonaro aos EUA, o parlamentar defende o adiamento da adoção das medidas para depois das eleições brasileiras, e não a retirada definitiva das tarifas.

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“Essa postura de pedir apenas o adiamento gera um duplo entendimento”, na visão do economista a medida eleva a expectativa do mercado para a decisão que será anunciada pela Casa Branca no próximo dia 15 de julho.

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