Alerta no Crédito do Trabalhador: saúde financeira de 69% dos usuários está comprometida
Levantamento aponta duas faces da nova linha privada, que facilitou o acesso ao dinheiro na folha, mas gerou acúmulo de dívidas
Após um ano de implementação do Crédito do Trabalhador, uma nova pesquisa nacional da Serasa Experian aponta que a linha de financiamento privado gerou o acúmulo de múltiplos empréstimos simultâneos aos brasileiros. O cenário acende um alerta entre especialistas do setor financeiro, já que o endividamento tem avançado justamente entre a população de menor renda.
O estudo elaborado pela datatech revela que 74% dos profissionais que recorreram à modalidade possuem dois ou mais empréstimos ativos em seu nome. De acordo com o levantamento, a maioria desses acordos foi fechada mesmo com condições de juros mais elevadas e prazos mais curtos para o pagamento integral da dívida.
Em um ano, o novo consignado privado apresentou operações de “baixo ticket”, o que indica que, de maneira geral, os valores tomados pelos trabalhadores foram baixos. Cerca de 44% das operações registraram um valor de empréstimo (ou concessão) de até 1,5 mil reais. Por outro lado, os contratos de maior porte, acima de 20 mil reais, formam um percentual tímido, representando apenas 1,9% de todas as transações analisadas.
A Serasa Experian indica duas faces de uma mesma moeda no que se refere ao programa do governo federal. Isso porque, embora a iniciativa tenha facilitado o acesso ao dinheiro — com uma dinâmica que permite o desconto das parcelas diretamente da folha de pagamento —, a pesquisa faz um alerta sobre a transparência das ofertas. As operações atraíram um perfil de interessados com a saúde financeira já comprometida, sendo que 69% dos que buscaram pelo benefício possuem algum tipo de restrição financeira ativa no mercado.
Diante deste cenário, Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa vinculada à Serasa Experian, defende a adoção de critérios rígidos para a melhoria da iniciativa: “O amadurecimento do novo consignado passa não apenas pela expansão da oferta, mas também pela capacidade de garantir o uso sustentável do crédito ao longo do tempo. A educação financeira e a transparência sobre taxas e condições serão fundamentais para a evolução saudável desse mercado”, explica.







