Além do VR: Swile amplia atuação para despesas corporativas e aposta em mercado de viagens
Com novo general-manager, empresa francesa quer avançar além dos benefícios e investir R$ 600 milhões no Brasil até 2030
A Swile, empresa francesa de benefícios corporativos, quer ampliar sua atuação no Brasil para a gestão de despesas de funcionários. Denis Tassitano, ex-vice-presidente da SAP Concur na América Latina e no Caribe, foi nomeado como general-manager da operação brasileira. O executivo chega com a missão de acelerar a expansão da companhia para Travel & Expense, área que inclui gestão de viagens, hospedagem, alimentação em deslocamentos, combustível, pedágios, cartões corporativos e reembolsos.
A contratação acontece em um momento de expansão do negócio brasileiro como um todo. De acordo com dados da empresa, ela alcançou 1 milhão de usuários no país e viu seu faturamento crescer 40% entre 2024 e 2025, ritmo que pretende manter neste ano. Também há um plano de investimento de 600 milhões de reais no Brasil até 2030. A meta é torná-lo a sua principal operação até o fim da década. Atualmente, ele representa cerca de 25% do volume global de negócios da companhia e aproximadamente um terço de seu crescimento anual.
De benefícios às despesas corporativas
A expansão para Travel & Expense amplia o número de áreas das empresas envolvidas no negócio. Os benefícios corporativos têm forte relação com Recursos Humanos, enquanto a gestão de despesas também envolve financeiro, compras e alta administração. Segundo a Global Business Travel Association (GBTA), o Brasil deve movimentar 30,4 bilhões de dólares em viagens corporativas em 2025. No mundo, os gastos com viagens de negócios devem alcançar 1,57 trilhão de dólares.
“No pós-pandemia, as viagens corporativas voltaram com tudo. Em alguns locais, até com uma força maior do que no pré-pandemia. Por isso, o controle é extremamente necessário, porque os valores aumentaram demais”, afirma Denis Tassitano, em entrevista a Veja Negócios.
A estratégia é reunir diferentes operações em uma mesma plataforma, conceito chamado de employee wallet (carteira do funcionário, em tradução para o português). Com o projeto, a intenção é se colocar em competição com companhias especializadas em gestão de viagens, despesas e cartões corporativos. A Swile Expense, nome dado à plataforma, já existe na França e está prevista para ser lançada no Brasil em 2027.
Em paralelo, o mercado brasileiro de benefícios vem passando por mudanças regulatórias. O Decreto nº 12.712/2025 alterou regras do vale-alimentação e do vale-refeição, estabelecendo, entre outras medidas, limite de 3,6% para a taxa de desconto cobrada dos estabelecimentos, teto de 2% para a taxa de intercâmbio e prazo de liquidação de até 15 dias.
Esse segmento movimenta, segundo estimativas apresentadas pela Swile, entre 150 bilhões e 200 bilhões de reais por ano. A Technavio projeta crescimento médio de 9,05% ao ano até 2026 e estima o mercado em 5,5 bilhões de dólares. O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) atende aproximadamente 23 milhões de trabalhadores.
Uma pesquisa da Aon aponta que 75% das empresas brasileiras já adotavam programas flexíveis de benefícios em 2023. Para Tassitano, a experiência do funcionário e a facilidade de administração são fatores considerados pelas empresas na contratação. Além disso, “os benefícios flexíveis estão entre um dos principais pontos a serem destacados para a retenção dos talentos”, diz o executivo.
A Swile chegou ao Brasil em 2022, com a aquisição da Vee Benefícios. No mesmo ano, comprou a francesa Bimpli, do grupo BPCE. Globalmente, a companhia tem mais de 5,5 milhões de usuários e 85 mil empresas. No Brasil, o próximo passo será a entrada em despesas corporativas. Para Tassitano, a experiência acumulada na SAP será utilizada principalmente na expansão entre as grandes empresas. Ele afirma que a Swile pretende crescer 40% ao ano em receita nos próximos anos.
A atuação de Denis Tassitano na Swile é acompanhada por um projeto criado por ele fora do ambiente corporativo. O executivo é cofundador do Best in Black, uma rede de negócios voltada à conexão entre executivos, empreendedores e lideranças negras. A iniciativa combina networking, conteúdo e relacionamento profissional. Entre as frentes está um podcast com lideranças negras de diferentes setores.
A proposta parte de uma questão recorrente no mercado corporativo: a dificuldade de acesso de profissionais negros a redes de relacionamento e oportunidades que podem influenciar suas trajetórias profissionais. Por isso, ela busca ampliar essas conexões e aproximar profissionais negros em diferentes estágios da carreira de executivos e empreendedores que possam funcionar como referências, mentores ou parceiros de negócios.







