Agro leva Luís Eduardo Magalhães ao topo entre as cidades médias do Nordeste
A prosperidade gerada pelo agronegócio atraiu grandes empresas e transformou a cidade em um dos polos econômicos mais dinâmicos do país
Há lugares que levam séculos para construir uma economia robusta. Luís Eduardo Magalhães precisou de pouco mais de duas décadas. Criado em 2000, após a emancipação de Barreiras, no extremo oeste da Bahia, o município cresceu na velocidade de uma startup: nasceu como um projeto, consolidou rapidamente seu modelo de desenvolvimento e hoje se transformou em uma das maiores potências do agronegócio brasileiro. Já ocupa a sexta posição entre os maiores PIBs do estado, lidera as exportações agrícolas baianas e, agora, é apontada por VEJA NEGÓCIOS como a melhor cidade média do Nordeste. “Temos apenas 26 anos de emancipação política e devemos esse crescimento à força do agro”, afirma o prefeito Ondumar Ferreira Borges Júnior, o Júnior Marabá. “Somos o principal centro de comercialização de máquinas, implementos, sementes e tecnologia do Matopiba.” Ele se refere à região que abrange áreas dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Como boa parte dos moradores da cidade, Júnior Marabá também veio de fora. Sua família chegou de Goiás em 2002, atraída pelas oportunidades de uma economia em expansão. Desde que assumiu a prefeitura, em 2021, adotou uma gestão baseada em disciplina fiscal e estímulo à diversificação de atividades. A folha de pagamento está limitada a 40% da arrecadação — bem abaixo do teto legal de 54% —, permitindo que o excedente seja direcionado a investimentos em infraestrutura e programas sociais. “Todas as sobras de recursos são usadas em projetos de melhoria da cidade”, diz o secretário de Desenvolvimento Econômico, Nei Vilares.
Os resultados desse dinamismo aparecem em diferentes frentes. A Inpasa, maior produtora de etanol de grãos da América Latina, inaugurou ali em 2026 uma biorrefinaria de etanol de milho após investir 1,3 bilhão de reais. A Facchini, uma das principais fabricantes brasileiras de implementos rodoviários, instalou um centro de distribuição de peças para atender produtores da região. Já a Captar Agrobusiness, grupo voltado ao processamento de grãos e proteínas animais, anunciou a construção de um complexo industrial que reunirá frigorífico, fábrica de ração e unidade de biodiesel, com investimento de 1,2 bilhão de reais. O empreendedorismo também é uma marca registrada. O município reúne 20 000 CNPJs ativos, sendo que 42% pertencem a microempresas e 41% a microempreendedores individuais. “Já ultrapassamos Barreiras em número de empresas”, afirma Vanoli Kuntz, presidente da Associação Comercial de Luís Eduardo Magalhães.
O crescimento acelerado, porém, trouxe desafios. A expansão populacional pressionou a infraestrutura urbana e elevou o risco de ocupações desordenadas. Para evitar a formação de bolsões de pobreza, a prefeitura suspendeu o licenciamento de loteamentos e lançou um programa de urbanização. “Encontramos apenas 30% das ruas asfaltadas, mas hoje estamos próximos de 85%”, diz o prefeito. O programa também prevê a arborização de bairros periféricos e o plantio de 30 000 árvores nativas do Cerrado ao longo do trecho urbano da BR-242. A educação permanece entre os principais desafios. Embora o analfabetismo seja praticamente inexistente, os indicadores de ensino estão abaixo da média nacional. Para mudar esse quadro, a prefeitura investe na qualificação das 44 escolas municipais, que atendem 22 000 alunos. É uma aposta para garantir que a cidade continue progredindo não apenas em riqueza, mas também em capital humano.
Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28







