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Agricultura responde por 59% do trabalho infantil de risco

De acordo com estudo realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), os avanços têm sido lentos na atividade agrícola

Por Da Redação 10 jun 2011, 13h09

O setor de serviços emprega 30% dos jovens em atividades perigosas e os demais ramos do trabalho, 11%

A agricultura é a atividade onde é encontrado o maior índice de crianças e adolescentes em atividades que oferecem risco à saúde física e psicológica. De acordo com o estudo “Crianças em trabalhos perigosos: o que sabemos, o que precisamos fazer”, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), 59% dos menores de 18 anos que realizam trabalhos perigosos estão empregados na pesca, na silvicultura, no pastoreio e na aquicultura.

O setor de serviços emprega 30% dos jovens em atividades perigosas e os demais ramos do trabalho, 11%. “Os avanços têm sido lentos na agricultura, em parte devido ao fato de ser muito mais difícil chegar às crianças espalhadas em zonas rurais de todo o mundo”, afirma a OIT.

O relatório da entidade – divulgado nesta sexta-feira em razão do Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, que ocorrerá no domingo – mostra que os menores do sexo masculino empregados em atividades de risco encontram-se, em sua maioria, nas tarefas agrícolas e industriais, ao passo que as meninas são encontradas com mais frequência no setor de serviços. Além disso, cerca de dois terços dos jovens de 5 a 17 anos que realizam atividades perigosas estão no contexto doméstico e não recebem qualquer remuneração. Pagamento pelo trabalho é realidade de apenas 28% dos menores, enquanto 7% são considerados autônomos.

Os riscos para os jovens na agricultura vão desde carregamento de peso excessivo até manuseio de substâncias químicas, como pesticidas. “Com a globalização, o perfil do trabalho infantil na agricultura está mudando rapidamente. Os agricultores de subsistência dos países em desenvolvimento estão utilizando produtos químicos empregados nas grandes plantações, carecendo de informações a respeito de seu uso e de instruções de advertência em idioma em que possam entender”, afirma o documento. Já nos países desenvolvidos o maior temor da OIT se refere a atividades que incluem o uso de máquinas e motores, como tratores e motosserras.

No entanto, a entidade faz a ressalva de que nem todas as atividades no campo são prejudiciais aos menores. Muitas tarefas, conforme a OIT, podem “ser positivas” para as crianças e os adolescentes, colocando-os em situação para ganhar experiência e habilidades técnicas.

“A agricultura é o setor com maior potencial de oferecer trabalho decente a crianças e adolescentes no meio rural que já atingiram a idade mínima legal de admissão de emprego”, diz o estudo. Acordos assinados pelos países membros da OIT permitem que os países determinem idades mínimas para o emprego de adolescentes em trabalhos que não ofereçam riscos e em condições que não atrapalhem o desenvolvimento do jovem.

(com Agência Estado)

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