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Agravamento da crise na UE criaria “cenário tenebroso”, diz Ipea

O instituto projetou o crescimento da economia brasileira em 2012 entre 3,5% e 4%, caso não ocorra piora na crise europeia

Por Da Redação - 13 jan 2012, 11h09

A economia brasileira deve crescer entre 3,5% e 4% em 2012, acima de 2011, que deve mostrar taxa em torno de 3% a 3,5%, de acordo com as projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgadas nesta sexta-feira. No entanto, o órgão alertou para uma queda da previsão diante dos impactos de um agravamento da crise da dívida na zona do euro no Brasil.

Dentre as diversas fotografias para o ambiente da economia brasileira em 2012, o diretor adjunto da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Dimac/Ipea), Cláudio Amitrano admitiu que o pior cenário seria a transformação da crise europeia em crise financeira global, aos moldes da registrada em 2008. “Seria um cenário tenebroso”, disse durante a apresentação do Comunicado 130 do instituto, “Algumas Considerações sobre a Desaceleração do PIB em 2011”.

Embora tenha destacado que esta não é a hipótese mais provável, afirmou que, caso ocorra, teria “profundos impactos negativos” na economia brasileira este ano. Na análise do especialista, para que tal cenário ocorra, seria preciso ação equivocada ou atrasada do Banco Central Europeu (BCE) e das autoridades europeias nas soluções de pagamento das dívidas soberanas de países em mau estado econômico, como Itália e Grécia.

“Assim, a crise ainda restrita ao espaço da zona do euro transbordaria para outras esferas”, afirmou. Amitrano ainda comentou que, em sua avaliação, as autoridades europeias estão cientes do risco e não devem permitir a ocorrência do pior cenário.

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No entanto, lembrou que as instituições também lidam com o “imponderável”, como fatores políticos não controláveis. Foi o caso do plebiscito grego para aprovação popular do acordo sobre a dívida daquele país – mesmo após árduas negociações entre os países europeus, no âmbito da União Europeia (UE), para formulação do acordo. “Mas eu sou um otimista. Acredito que a situação externa vai melhorar”, afirmou.

Projeções ainda em aberto – Embora tenha ressaltado que as projeções numéricas do instituto para este ano ainda não foram fechadas, o especialista classificou o nível de crescimento para 2012 entre 3,5% e 4% como “bastante provável”, caso não ocorra piora na crise europeia. “Mas este ainda não é o número fechado. Precisamos avaliar o que vai acontecer no último trimestre de 2011 para ter uma visão melhor”, frisou.

(Com Agência Estado)

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