Clique e Assine por apenas R$ 0,50/dia

Agência europeia teria forçado Grécia a inflar déficit

Ex-membro do conselho da Autoridade Helênica de Estatística, disse que os índices foram "tecnicamente" inflados para se tornarem os piores da Europa

Por Da Redação 16 set 2011, 12h31

De acordo com Georganta, o índice precisava ser mais alto que o da Irlanda, que estava em 14%, para que medidas duras fossem tomadas contra a Grécia

A Grécia foi forçada pela agência de estatísticas da União Europeia, a Eurostat, a inflar seu déficit no orçamento de 2009 a fim de justificar a adoção de medidas de austeridade no país. A afirmação é de uma ex-integrante do conselho do escritório de estatísticas do país a um jornal grego, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira. Em comentários ao jornal Eleftherotypia, Zoe Georganta, professora de Econometria e ex-membro do conselho da Autoridade Helênica de Estatística, disse que o déficit foi “tecnicamente” inflado para se tornar o maior na Europa.

“O déficit do país em 2009 foi apresentado em 15,4% do Produto Interno Bruto (PIB) pela Eurostat intencionalmente. Ele precisava ser mais alto que o da Irlanda, que estava em 14%, para medidas duras serem tomadas contra a Grécia”, disse ela ao jornal. Após vencer as eleições em outubro de 2009, o governo do Partido Socialista revisou o déficit orçamentário de 2009 para em torno de 12% do PIB, o dobro do admitido pelo governo anterior. Uma série de revisões nos meses seguintes elevou esse déficit para 15,4% do PIB.

Em entrevistas a duas rádios, Georganta disse que o déficit de 2009 era de em torno de 12% do PIB. De acordo com ela, porém, o governo foi pressionado pela Eurostat a incluir os gastos de companhias públicas e empresas estatais, sem incluir a renda delas. Respondendo às declarações, o ministro do Meio Ambiente, George Papaconstantinou, que primeiro divulgou o déficit quando era ministro das Finanças, em 2009, disse que a revisão orçamentária foi feita em cooperação estreita com a Eurostat, baseando-se na metodologia usada em todos os países europeus. “Vamos entender a posição difícil em que estava o país, em vez de buscar desculpas baratas baseadas em teorias da conspiração para o desregramento completo fiscal do país”, afirmou o ministro em comunicado.

(Com Agência Estado)

Continua após a publicidade
Publicidade