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Agência de rating é responsável pelo que faz, diz Merkel

Por Clarissa Mangueira e Álvaro Campos

Berlim e Paris – A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, comentou hoje a decisão da Standard & Poor’s de colocar sob revisão negativa os ratings de 15 países europeus, afirmando que “o que a agência de rating faz é de responsabilidade dela”.

Em entrevista coletiva após se reunir com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, Merkel disse que a cúpula da União Europeia no fim desta semana apresentará decisões importantes para estabilizar a zona do euro. “Nós tomaremos decisões que consideramos importantes e indispensáveis, e com isso contribuiremos para a estabilização da zona do euro”, disse ela, alertando que este será um processo demorado.

Merkel e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, propuseram na segunda-feira reformas profundas da zona do euro a fim de elevar a supervisão fiscal e introduzir sanções automáticas para os países que desrespeitarem as regras estabilidade. As mudanças exigem alterações no Tratado da União Europeia.

Se alguns dos 27 membros da UE decidirem não participar, os 17 membros da zona euro poderão seguir adiante e assinar um acordo fora dos tratados da UE para uma união mais integrada, afirmaram Merkel e Sarkozy. Os líderes da UE se reunirão na quinta-feira e na sexta-feira para uma cúpula a fim de encontrar maneiras de combater a crise da dívida da zona do euro.

Hollande

Para o socialista François Hollande, pré-candidato à presidência da França, a decisão da S&P é basicamente resultado “do fracasso da política adotada nos últimos cinco anos” pelo presidente Nicolas Sarkozy.

Hollande também afirmou que as propostas anunciadas ontem por Sakorzy e Merkel para reformar os tratados da União Europeia e combater a crise da dívida no continente, são “uma ilusão”. O socialista disse que o acordo é “parcial”, porque somente propõe medidas de austeridade. Segundo ele, os dois líderes devem “fortalecer” o papel do Banco Central Europeu (BCE) e as maneiras de usar a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) para combater a crise.

O socialista, que deve disputar as eleições presidenciais em maio do ano que vem, disse que vai reequilibrar as finanças públicas da França até 2017, enquanto Sarkozy planeja alcançar esse objetivo a partir de 2016. As informações são da Dow Jones.