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Aéreas brasileiras encerraram terceiro ano no vermelho

Companhias perderam R$ 2,4 bilhões em 2013, pressionadas pelo aumento do dólar e do preço dos combustíveis nos últimos anos

Por Da Redação 14 out 2014, 10h45

A crise no setor aéreo fez as empresas brasileiras fecharem no vermelho pelo terceiro ano consecutivo. Sete companhias aéreas brasileiras totalizaram prejuízos de 2,4 bilhões de reais em 2013, segundo informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgadas na segunda-feira no Anuário do Transporte Aéreo 2013. Mas as perdas do setor foram 30% menores que as registradas em 2012, refletindo principalmente a redução do prejuízo da Gol. As únicas companhias que tiveram lucro foram a Azul e a Total.

A Gol encerrou 2013 com prejuízo de 802 milhões de reais (considerando a operação da Webjet), mas conseguiu reduzir as perdas pela metade na comparação com 2012. A TAM viu seu prejuízo aumentar de 1,315 bilhão de reais para 1,653 bilhão de reais. Já a Azul obteve lucro líquido de 63 milhões de reais (considerando a integração da Trip, adquirida pela empresa em 2012). O prejuízo do ano passado é um reflexo da crise pela qual o setor aéreo brasileiro passa desde o fim de 2011. “Os custos das companhias aéreas explodiram e comprometeram o resultado financeiro”, explica o presidente da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz.

As companhias aéreas sofreram com alta do dólar e do preço do combustível nos últimos anos. Cerca de 60% dos custos são atrelados ao dólar, mas a maior parte da receita é em real. O dólar saltou de 2,04 reais em 2012 para 2,35 reais em 2013, alta de 15% que pesou no bolso das empresas. As empresas não conseguiram repassar a alta de custo aos passageiros e amargaram prejuízos bilionários a partir de 2011. O setor aéreo brasileiro dava lucro antes disso, com ganhos de 1,54 bilhão de reais em 2009 e 718 milhões de reais em 2010.

O setor terá desafios para voltar ao lucro. A projeção do mercado é que o dólar encerre o ano cotado a 2,40 reais, de acordo com o último boletim Focus, do Banco Central. “O cenário não é bom. A demanda está andando de lado e a alta do dólar afeta negativamente as empresas”, disse Sanovicz. Dados da Anac apontam que a demanda por passagens subiu 5,67% no acumulado dos oito primeiros meses ano ante igual período de 2013.

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Expansão – As companhias aéreas brasileiras investiram na ampliação da frota e acabaram com excesso de capacidade nos últimos dois anos. Em 2011, as empresas aéreas brasileiras voavam em média com 30% das poltronas vazias. Mas as líderes Gol e TAM mudaram de estratégia e frearam seus planos de expansão. A regra passou a ser aumentar a ocupação, priorizando a rentabilidade dos voos. Já a Azul seguiu seu plano de expansão e elevou em cerca de 30% a oferta de assentos em 2013. Fontes de mercado informaram que parte da rentabilidade da Azul vem da operação regional. A empresa voa para mais de cem destinos, além de ser a única opção de transporte aéreo em boa parte das suas rotas no interior.

(Com Estadão Conteúdo)

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