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Acordo UE-Mercosul terá ganho limitado, e maior para os sul-americanos, diz consultoria

Estudos da Oxford Economics e do Parlamento Europeu estimam um aumento modesto no PIB para os dois blocos, mas reforçam importância estratégica do contrato

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jan 2026, 14h37 | Atualizado em 16 jan 2026, 14h52
Acordo UE-Mercosul terá ganho limitado, e maior para os sul-americanos, diz consultoria Priorize VEJA no Google

O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que, depois de mais de duas décadas de negociações arrastadas, entrou em uma inédita fase de ajustes finais na semana passada, tem um papel simbólico e político importante, mas, em termos econômicos, deve render ganhos tímidos aos dois blocos ao longo do tempo.

É esta a avaliação da consultoria internacional Oxford Economics, sediada no Reino Unido, que baseou sua análise em estudos próprios e também em relatórios de avaliação feitos pelo próprio Conselho Europeu para mensurar os impactos da abertura comercial entre os dois blocos.

“A principal importância do acordo é sinalizar o comprometimento dos dois blocos com um sistema de comércio baseado em regras e com a cooperação internacional”, escreveu a consultoria em um relatório divulgado a clientes nesta sexta-feira, 16. “O Mercosul deve ver o seu relevante setor agrícola ganhar com a ampliação do livre acesso ao mercado europeu. Contudo, as tarifas serão retiradas gradualmente e uma série de exceções devem limitar os benefícios para setores-chave. Igualmente importante, a União Europeia vai continuar mantendo proteções sobre suas importações agrícolas, como as cotas tarifárias.”

De acordo com a Oxford Economics, as exportações de grãos e outros produtos agrícolas para a União Europeia respondem por 2% de todo o produto interno bruto conjunto dos países do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

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Um estudo encomendado pelo Parlamento Europeu, divulgado em julho e mencionado pela Oxford Economics em sua análise, estimou que o PIB da União Europeia deve ficar apenas 0,1% maior, ao longo do tempo, do que poderia ser sem a ampliação do comércio que deve vir do acordo com os parceiros sul-americanos. Mais beneficiado, o Mercosul deve ter um ganho no PIB da ordem de 0,3%, sendo o Brasil, com incremento também de 0,3%, e a Argentina, com 0,4%, os mais beneficiados de todos os países envolvidos dos dois lados.

Para a maioria dos países europeus, o incremento no PIB é zero – caso da França, Grécia ou Irlanda. Para o Paraguai, a abertura das fronteiras com os europeus deve resultar em perdas: o PIB é estimado que fique 0,1% menor com o acordo em comparação ao cenário sem o acordo. As estimativas foram feitas levando em consideração todas as atualizações realizadas nos termos do contrato ao longo das várias rodadas de negociação e debate realizadas desde a última grande tentativa de conclusão do contrato, em 2019.

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“O acordo comercial UE-Mercosul deve levar a um ganho moderado para ambos os lados, com os países do Mercosul devendo ver um benefício econômico um pouco maior”, diz o relatório. A diferença de magnitude dos ganhos entre os dois lados do oceano se dá principalmente pelo fato de o mercado europeu ser muito maior para os sul-americanos do que o oposto.

Os produtos vendidos pelos países da União Europeia aos do Mercosul representam apenas 2,3% do total das exportações do bloco europeu, e as importações embarcadas daqui para lá são 2,2% de tudo o que chega do resto do mundo. Na via oposta, a União Europeia compra 14,5% das exportações do Mercosul e responde por 20,4% de suas importações.

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Apesar dos achados econômicos tímidos, a recomendação do relatório feito para o Parlamento Europeu foi que os países membros acatassem o acordo. “Embora a nossa avaliação seja de que os resultados esperados sejam modestos, o acordo comercial UE-Mercosul equilibra oportunidades econômicas com medidas de proteção e compromisso sustentável, fazendo dele uma ferramenta estratégica no sentido de estimular uma maior integração em meio às tensões comerciais globais”, concluem os pesquisadores.

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