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Acordo pode ser última chance de Atenas, alertam países

Por Da Redação - 10 mar 2012, 09h52

Por Equipe AE

Genebra – O governo alemão e a UE alertam os gregos de que o acordo de ontem e o dinheiro enviado não podem dar a sensação de que a crise da dívida acabou. Enquanto o governo grego insistia em comemorar o fim do drama de meses, as advertências eram de que essa é a última chance que o bloco estava dando à Grécia para continuar na zona do euro.

“A Grécia tem uma clara oportunidade para se recuperar agora. Mas a precondição é de que use essa oportunidade, que é única”, disse o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaueble. “Seria um grande erro dar a impressão de que a crise foi solucionada.”

O alemão, que por meses defendeu o calote para superar a crise, ainda ironizou o fato de que muitos dos governos que ontem comemoraram o acordo eram fortes opositores de um calote parcial. “Algumas das pessoas que dizem que estão felizes hoje estavam dizendo coisas bem diferentes há dois anos.”

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Os alemães queriam que parte do peso do resgate recaísse sobre o setor privado – na forma de um calote parcial. Assim, reduziriam a quantia de dinheiro público que a maioria da Europa teria de injetar num resgate. Mas franceses, amplamente expostos à dívida grega, resistiam.

Schäuble enviou assim um recado claro ao presidente francês Nicolas Sarkozy, que por meses resistiu à ideia do calote. Ontem, seu discurso era bem diferente e optou por usar o dia para mostrar que a gerência da crise está funcionando. Em ritmo de campanha eleitoral, Sarkozy destacou sua “satisfação com a solução para a crise grega”: “Estou feliz. Hoje, o problema está solucionado e uma página na crise financeira está sendo virada”.

Em Atenas, o governo optou por indicar que a aprovação dos credores e da UE era “um voto de confiança” na capacidade do país de lidar com suas reformas. “Vivemos um momento histórico”, declarou o porta-voz do governo grego, Pantelis Kapsis.

Em Bruxelas, apesar do sinal verde, o recado foi de que a pressão será mantida, diante do histórico dos gregos em não adotar o que prometem. “Espero que as autoridades gregas mantenham seu compromisso com o programa de ajuste econômico”, declarou o comissário de Assuntos Econômicos da UE, Olli Rehn.

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Nos últimos dois anos, várias leis exigidas pela UE jamais entraram em vigor, a redução no número de servidores públicos não ocorreu e o processo de privatização não saiu do papel. A preocupação em Bruxelas é de que, com eleições em abril, a Grécia volte a adiar as reformas.

No FMI, a diretora-gerente, Christine Lagarde, também foi menos entusiasmada que seu colega francês. Segundo ela, o acordo com os bancos foi “um passo importante” para a retomada do crescimento da economia grega. Mas evitou superlativos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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