Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Acordo da UE gera dúvidas e bolsas da Europa perdem

Por Gabriel Bueno

Londres – Os principais índices das bolsas europeias fecharam em queda nesta segunda-feira, com novas dúvidas sobre se as medidas fechadas na semana passada em um encontro da União Europeia serão suficientes para controlar a crise da dívida soberana. O índice pan-europeu Stoxx 600 registrou queda de 1,85%, ou 4,46 pontos, para 236,05 pontos.

A agência de classificação de risco Moody’s afirmou também hoje que os políticos ofereceram poucas novas medidas no encontro da semana passada. A Moody’s ainda revisará os ratings de todos os países da União Europeia durante o primeiro trimestre do ano que vem. Em comunicado, a agência disse que a crise segue em um “estágio crítico e volátil”.

A Itália esteve entre os piores desempenhos. Na Bolsa de Milão, o FTSE MIB teve baixa de 3,79%, para 14.896,73 pontos. UniCredit caiu 5,8% e a companhia do setor de energia Terna Rete Elettrica Nazionale recuou 5,7%.

Os investidores não pareciam seguros nem após um bem-sucedido leilão de bônus da Itália. O Tesouro italiano vendeu 7 bilhões de euros (US$ 9,4 bilhões) de t-bills de 12 meses, com um yield (retorno ao investidor) de 5,95%, de 6,09% no leilão anterior. O yield do bônus de 10 anos subiu 30 pontos-base, para 6,53%, no fim da segunda-feira, segundo dados da FactSet Research.

O chefe de pesquisa do BNP Paribas Fortis Global Investors, Philippe Gijsels, disse que os investidores perceberam que “ainda há uma estrada longa e sinuosa para a recuperação”, com medidas de austeridade provavelmente impactando a economia real no ano que vem. O ano de 2012 “será um desafio para as companhias. Será difícil ter o crescimento projetado que os mercados buscam hoje”, afirmou Gijsels.

O índice DAX, da Bolsa de Frankfurt, fechou em -3,36%, em 5.785,43 pontos. Commerzbank recuou 7,8% e a seguradora Allianz caiu 6,5%. As companhias do setor de energia E.ON e RWE perderam 4,6% e 4,3%, respectivamente. O Bank of America Merrill Lynch rebaixou a E.ON de “buy” para “neutral” e cortou seu preço indicado da ação de 29 euros para 27 euros.

Os bancos lideraram as quedas, com as ações do ING recuando 8,1%. O banco ofereceu-se para recomprar 5,8 bilhões de dívida subordinada para fortalecer seu capital. As ações do Dexia recuaram quase 13% em Bruxelas.

Os bancos gregos também caíram bastante, com Alpha Bank recuando quase 12% e National Bank of Greece despencando 12,6%. A Grécia iniciou hoje uma nova rodada de conversas com inspetores do Fundo Monetário Internacional (FMI), da União Europeia e do Banco Central Europeu (BCE) sobre os detalhes de uma novo pacote de ajuda para o país. O índice ASE Composite, da Bolsa de Atenas, caiu 2,1%, para 661,77 pontos.

Em Londres, as ações do Royal Bank of Scotland recuaram 6,5%, após a Autoridade de Serviços Financeiros do Reino Unido informar que vários fatores levaram o banco a quase falir durante a crise financeira, entre eles decisões ruins de gerenciamento e a fraqueza de sua posição de capital. Também no setor financeiro, HSBC e Standard Chartered caíram 3,2% e 2,7%, respectivamente. As ações do Lloyds Banking perderam 8,6%. Em Londres, o índice FTSE 100 teve baixa de 1,83%, para 5.427,86 pontos, com as mineradores também registrando quedas, como BHP Billiton (-3,3%) e Rio Tinto (-3,9%).

As ações do Société Générale caíram 4,9% em Paris, enquanto BNP Paribas recuou 5,1%. Na Bolsa de Paris, o índice CAC 40 teve queda de 2,61%, para 3.089,59 pontos. A seguradora AXA perdeu 6,5%. A siderúrgica ArcelorMittal registrou queda de 6,7%. A Total perdeu 2,1%.

A fabricante de semicondutores Intel rebaixou sua previsão de vendas, pressionando algumas ações relacionadas na Europa. As ações da ASML caíram 2,2%, e as da ASM perderam 3,9%.

Na Bolsa de Madri, o Ibex 35 registrou queda de 3,11%, para 8.381,00. Em Lisboa, o PSI 20 teve baixa de 2,35%, para 5.416,01 pontos. As informações são da Dow Jones.