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Ações do BB despencam após decisão de troca no comando do banco

A entrada de um novo presidente com um perfil mais político que técnico desanimou os investidores

Por Luisa Purchio Atualizado em 13 jan 2021, 19h24 - Publicado em 13 jan 2021, 19h13

Os papeis do Banco do Brasil tiveram queda abrupta nesta quarta-feira, 13, após a notícia que o presidente Jair Bolsonaro decidiu trocar a diretoria do Banco. Os papéis do banco fecharam em queda de 4,94%, enquanto o índice Ibovespa caiu 1,62%. Conforme o Radar noticiou, Bolsonaro decidiu tirar o economista André Brandão do cargo. Com experiência de mais de 20 anos no setor bancário e focado em resultados, a direção do BB chefiada por ele anunciou nesta semana um redimensionamento operacional, com o fechamento de mais de 300 unidades pelo país e um Plano de Demissão Voluntária para desligar cerca de 5 mil funcionários.

Segundo apurou Radar, Bolsonaro considerou uma afronta o anúncio sem que ele estivesse por dentro dos detalhes mais desgastantes, do ponto de vista político, da medida. A decisão, entretanto, não caiu bem no mercado financeiro. A possibilidade da presidência do banco ser ocupada por alguém de perfil mais político e não de gestão é um ponto de preocupação. Brandão seguia a agenda de aumento de eficiência do banco. Em um momento que boa parte dos serviços se tornaram digitais, muito por causa da pandemia, a direção do BB agiu e anunciou uma ampla reestruturação com foco nesse tipo de serviço. O plano visa uma economia bilionária nos próximos quatro anos nos cofres da estatal. Vale lembrar que o ministro da Economia Paulo Guedes, já se mostrou favorável a desestatização do BB, enquanto Bolsonaro refuta a questão.

Essa é a segunda troca no comando do banco em seis meses. Em agosto, Rubens Novaes entregou o cargo. Por ser defensor da privatização do banco, teve desgastes com o Planalto. Oficialmente, o Banco do Brasil não confirma a saída de André Brandão do cargo.

  • Pessoas ligadas ao banco informaram à VEJA que Brandão vinha se esforçando para se adaptar ao modus operandi de Brasília, se encontrando com políticos sem demonstrar qualquer desgosto por este tipo de expediente, porém, a boa vontade não foi páreo para se manter no cargo após suas sugestões drásticas para o aprimoramento da gestão do banco.

    E em um momento em que as Fintechs crescem como nunca e os bancos estão enxugando os seus custos para acompanhar a concorrência, nada mais natural que o executivo sugerisse o mesmo caminho para a entidade, ainda assim, a resistência política ainda pauta os rumos do BB. A queda de hoje no Banco do Brasil nas bolsas são um exemplo de que essa atitude tem um preço, e ele é alto.

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