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Ações da Petrobras têm maior queda desde a crise de 2008

As ações preferenciais da Petrobras fecharam em queda de 9,21%, a 17,36 reais, e as ordinárias recuaram 10,04%, a 16,48 reais; mercado ainda assimila a falta de transparência na divulgação da nova política de preços, além do reajuste aquém do esperado

A maior queda das ações da Petrobras em cinco anos levou o principal índice da bolsa de valores a iniciar dezembro com baixa de mais de 2%, diante da frustração do mercado com a falta de clareza sobre a nova metodologia de reajuste de preços de combustíveis. O Ibovespa caiu 2,36%, maior queda porcentual desde 30 de setembro, a 51.244 pontos. O giro financeiro do pregão foi de 7,5 bilhões de reais.

As ações preferenciais da Petrobras fecharam em queda de 9,21%, a 17,36 reais, e as ordinárias recuaram 10,04%, a 16,48 reais. Desde novembro de 2008, logo após o início da crise financeira, com a quebra do banco Lehman Brothers, os papéis da estatal não tinham queda tão acentuada.

A queda ocorre porque o mercado aguardava reajustes de 6% a 10% para o preço da gasolina, além da divulgação da tão aguardada nova fórmula de reajuste automático, que tem como objetivo dar alguma previsibilidade aos gastos da estatal com a oscilação do preço do petróleo. Como o reajuste foi de apenas 4% para a gasolina e 8% para o diesel, e nenhuma fórmula foi divulgada pelo Conselho de Administração da companhia, a reação do mercado à decisão da sexta-feira, 29 de novembro, pautou o movimento da BM&FBovespa neste primeiro pregão de dezembro.

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O desempenho das ações evidencia a decepção do mercado, sobretudo com a decisão do Conselho da estatal e, mais precisamente, da própria presidente Dilma Rousseff de não autorizar a divulgação de detalhes sobre a nova metodologia de reajustes de combustíveis. Segundo analistas, a falta de clareza sobre os critérios mantém incertezas para o mercado, num momento em que a empresa absorve forte defasagem dos preços domésticos na comparação com os internacionais.

Na noite de sexta-feira, a estatal anunciou o reajuste de preços nas refinarias de 4% na gasolina e de 8% para o diesel, já como consequência de uma nova política de preços. O impacto dessa alta nas bombas não deve passar de 2% para a gasolina e 4% para o diesel. No entanto, a empresa disse que “por razões comerciais, os parâmetros da metodologia de precificação serão estritamente internos à companhia”. A declaração priva o mercado de informações essenciais sobre o que esperar da companhia para os próximos trimestres.

Transparência – Para analistas do Itaú BBA, a falta de transparência preocupa. “Ninguém sabe exatamente quais são os indicadores ou quais são os gatilhos ou períodos para as revisões, deixando espaço para potenciais manobras nos preços”. “Nós nos questionamos o que realmente mudou”, disseram os analistas Paula Kovarsky e Diego Mendes, em nota a clientes no fim de semana.

O Credit Suisse rebaixou, no domingo, a recomendação para as ações da empresa para “underperform” (abaixo da média do mercado). O preço alvo das ADRs (ações da estatal negociadas em Nova York) está estimado pelo banco em 14 dólares.

“Aumentos tímidos nos preços e uma metodologia de precificação opaca deterioram a percepção sobre a governança corporativa, enfraquecem a posição de uma equipe de gestão forte e técnica, têm um significativo impacto nos lucros e na avaliação e deixam o balanço financeiro extremamente frágil em meio a um 2014 cheio de incertezas”, disseram os analistas Vinicius Canheu e Andre Sobreira, do Credit Suisse, em relatório a clientes.

O mau humor causado pela petroleira acabou contagiando o mercado como um todo, com ações de construção, bancos, do setor elétrico e da mineradora Vale recuando. Somente 10 dos 72 ativos que compõem o Ibovespa se sustentaram no azul, entre eles a ação da Klabin, que subiu 1,65%.

(Com Reuters)