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Ação do Pão de Açúcar já reflete saída das Casas Bahia

A forte queda das ações do Grupo Pão de Açúcar na Bovespa ontem foi devida à frustração dos investidores, que apostavam nos ganhos que poderiam ser gerados com a fusão fechada com as Casas Bahia. As estimativas, na época do anúncio, giravam em torno de 2 bilhões de reais. “Sempre que sai um acordo como esse, o investidor transfere para o preço da ação o quanto ele estima de potencial de geração de valor. Imaginava-se que sairia desta fusão um grupo muito forte e, com isso, as ações do Pão de Açúcar subiram. Agora, com a dúvida rondando esse cenário, é natural que elas caiam um pouco”, explica o estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.

Para a analista de varejo Juliana Campos, da Ativa Corretora, os investidores estão assustados porque tanto pode haver desde alterações dos termos do acordo com prejuízo para o grupo de Abílio Diniz – haja vista que a insatisfação partiu das Casas Bahia – até, na pior das hipóteses, uma reversão completa da operação. “Em qualquer cenário, não haveria justificativa para o papel valer tudo o que estava valendo”. De fato, desde o início de dezembro de 2009 até ontem, as ações do Pão de Açúcar haviam subido cerca de 10%. Apenas no pregão desta terça-feira, devolveram 4,75%.

Galdi destaca que ainda é muito cedo para tentar prever a nova configuração da parceria porque existem ainda muitos pontos indefinidos. “Eles precisam ainda acertar preços de ativos, prazos, estrutura de cargos e como ficará a governança corporativa”, acrescenta. Juliana Campos diz que há rumores no mercado de que mais detalhes de uma possível revisão dos termos da fusão podem ser divulgados já nos próximos dias. O valor das ações, de qualquer maneira, não deverá cair mais. “Com a queda desta terça, os papéis custam hoje praticamente o mesmo que antes da fusão”, explica a analista.