Acadêmicos rodam eleição com IA e fazem previsão para São Paulo
Experimento reuniu 10 mil eleitores sintéticos e mais de 112 mil interações para simular a disputa pelo governo paulista
Pesquisadores colocaram 10 mil eleitores para atravessar uma campanha eleitoral inteira em São Paulo — com uma diferença: nenhum deles existe no mundo real.
Uma simulação desenvolvida pela FIA Business School em parceria com a consultoria Levius transformou perfis do eleitorado paulista em agentes de inteligência artificial capazes de receber notícias, interpretar acontecimentos e alterar suas preferências ao longo de uma campanha virtual.
Depois de onze rodadas, o experimento apontou Tarcísio de Freitas, do Republicanos, com 53,5% dos votos válidos, contra 41,5% de Fernando Haddad, do PT. Os demais nomes considerados no cenário somaram 5%. O resultado divulgado pela própria Levius coloca a disputa simulada encerrada ainda no primeiro turno. (Instagram)
O exercício, porém, não deve ser confundido com uma pesquisa eleitoral tradicional. Os 10 mil participantes são agentes computacionais construídos a partir das características do eleitorado paulista disponíveis nos microdados do Tribunal Superior Eleitoral, como idade, gênero, escolaridade, raça, estado civil e localização.
A inteligência artificial utilizada é baseada no modelo aberto Qwen, de 14 bilhões de parâmetros. Ao longo da campanha virtual, os agentes foram expostos a acontecimentos, notícias, pesquisas e movimentos atribuídos aos candidatos e puderam modificar suas percepções à medida que acumulavam novas informações.
No total, o experimento produziu 112.567 interações entre os eleitores sintéticos e o ambiente eleitoral e mais de 6 mil justificativas de voto.
A simulação também tentou medir a solidez das preferências. Entre os agentes associados a Tarcísio, 37,4% foram classificados como voto duro, ante 29,1% entre os de Haddad. Já a parcela considerada persuadível foi maior entre os eleitores sintéticos do petista.
Também apareceram diferenças territoriais. No Interior e no Litoral, Tarcísio teve vantagem no ambiente simulado. Na Capital e na Grande São Paulo, Haddad ficou ligeiramente à frente.
A proposta dos pesquisadores é justamente ir além da fotografia capturada por uma pesquisa convencional e observar como preferências podem mudar durante uma campanha. O mesmo ambiente pode ser rodado novamente com alterações nas estratégias dos candidatos, nos acontecimentos políticos ou nos temas considerados relevantes pelos agentes.
A metodologia foi testada pelos responsáveis pelo projeto utilizando dados da eleição de 2022. No experimento de 2026, porém, os próprios pesquisadores ressaltam que os percentuais obtidos não representam uma pesquisa eleitoral nem carregam margem de erro equivalente à de levantamentos feitos com eleitores reais.
Por enquanto, a simulação divulgada contempla apenas a corrida pelo governo de São Paulo.





