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A única vinícola brasileira que pode colocar ‘champanhe’ no rótulo

Primeira fabricante de espumantes brasileiros, tenta recuperar status com projetos como sessões de cinema em vinhedos

Por Giseli Cabrini Atualizado em 2 set 2018, 12h29 - Publicado em 1 set 2018, 08h45

Sediada em Garibaldi, cidade gaúcha conhecida como capital brasileira do espumante, a centenária Peterlongo, é a única vinícola brasileira com o direito de usar o termo champanhe no rótulo de seus produtos. Isso porque ela já elaborava espumantes pelo método tradicional antes mesmo da região francesa do champanhe conquistar sua Denominação de Origem (DO).

Na primeira metade do século 20, vinícolas francesas chegaram a questionar a utilização do termo champanhe em rótulos de brasileiros. Em 1974, o Supremo Tribunal Federal (STF), no entanto, julgou improcedente o questionamento e a Peterlongo ganhou o direito da denominação, que foi absorvida desde o início da elaboração da bebida por Manoel Peterlongo.

  • Além do histórico de elaboração de champanhes pelo método tradicional ou champenoise (com a segunda fermentação na própria garrafa), o STF levou em conta para a decisão o fato de a vinícola ter sido a primeira a plantar uvas viníferas brancas no Brasil e de importar leveduras de alta qualidade da França.

    Atualmente, a empresa mantém o termo champanhe nos rótulos da marca Elegance, a linha superior de espumantes. As demais adotam o termo espumante.

    A Peterlongo, que se orgulha de ostentar a fama de ter sido a primeira a elaborar um espumante brasileiro, em 1913, está em um processo de reestruturação e reposicionamento de marca. A meta é resgatar o status dos tempos áureos quando a marca era a preferida de solenidades oficiais, batismos de navios e aviões. Presente em banquetes oferecidos pelo governo Getúlio Vargas, a marca chegou a ser servida durante a recepção da Rainha Elizabeth no Brasil, em 1968. Ao longo dos anos, por decisão dos antigos donos, a Peterlongo passou a apostar em produtos mais populares como filtrados doces e, com isso, perdeu a imagem de bebida premium.

     A reformulação, que está em andamento, abrange todas as áreas: dos vinhedos – análise de solo e variedades cultivadas – até as gôndolas. O objetivo é reposicionar a marca na categoria de espumantes brasileiros e tornar a Peterlongo reconhecida como produtora de vinhos finos.

    Outro ponto forte do reposicionamento da Peterlongo como uma marca nobre e ao mesmo tempo inovadora está na criação dos chamados produtos enoturísticos como, o projeto Wine Movie Peterlongo que prevê a realização de sessões de cinema entre os vinhedos, único no Brasil.

    Atualmente, a empresa produz 660 mil garrafas que correspondem a 500 mil litros de espumantes por ano nas versões brut, extra brut, nature, demi-sec e moscatel.

    Quiosque de vinhos Peterlongo Jeferson Soldi/Divulgação
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