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A última preocupação de Pedro Guimarães à frente da Caixa

Denúncia de assédio sexual por parte de diversas funcionárias do banco é estopim em série de episódios envolvendo o economista

Por Felipe Mendes Atualizado em 29 jun 2022, 12h07 - Publicado em 29 jun 2022, 11h49

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, tem um último pedido antes de deixar o cargo à frente da estatal. Enfrentando forte pressão de aliados do presidente da República, Jair Bolsonaro, que pedem sua destituição do banco o quanto antes devido às acusações de assédio sexual por parte de funcionárias da estatal, Guimarães tem receio com a forma como seu desligamento será comunicado pelo governo. Fontes próximas veem a demissão nas próximas horas como inevitável, mas acenam com a possibilidade de que o próprio Guimarães se abstenha da posição na Caixa — há uma ala de políticos que pedem que o anúncio parta do governo, como uma forma de mostrar força e tentar recuperar algum prestígio de Bolsonaro com o eleitorado feminino.

Mestre pela Fundação Getulio Vargas (FGV), doutor em Economia pela Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, e especialista em processos de desestatização – tendo assessorado a privatização do Banespa e o processo de abertura de capital do BB Seguridade e da Caixa Seguridade –, Guimarães teme “manchar” sua biografia junto ao mercado financeiro.

Nesta manhã, o executivo apareceu em evento em Brasília e fez um pronunciamento oficial, durante o lançamento do Plano Safra. Agradeceu ainda a presença de sua esposa na plateia, e defendeu que teve uma “vida inteira pautada pela ética”. Não mencionou as denúncias reveladas ontem. A coletiva de imprensa sobre o Plano Safra, no entanto, foi cancelada.

Embora tema que a repercussão negativa do caso atrapalhe sua reeleição, Bolsonaro reluta em entregar Guimarães “aos leões”. Desde o início do governo, o presidente da Caixa ganhou cada vez mais relevância dentro da agenda do presidente da República. Como Bolsonaro via no banco uma função social primordial para o país, de fazer políticas sociais e com forte teor eleitoral, ele costumava realizar diversas viagens ao lado de Guimarães e participar ativamente dos anúncios de lançamento de linhas de crédito do banco.

Em período de esvaziamento das funções do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Caixa foi a principal válvula de escape para a liberação de crédito para os empresários durante a pandemia de Covid-19 — foi, por exemplo, o financiador do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, o Pronampe, além da liberação do FGTS e da operacionalização do Auxílio Brasil e do Auxílio Emergencial.

Mas na instituição sempre pairou relatos de desconforto de diretores da instituição com Guimarães. Em dezembro de 2021, Guimarães constrangeu vice-presidentes da companhia após ordenar que eles fizessem flexões durante uma cerimônia de fim de ano do banco, em Atibaia (SP). Na época, o procurador do Ministério Público do Trabalho no Distrito Federal, Paulo Neto, enviou uma notificação a Guimarães: “Recomenda ao senhor Pedro Duarte Guimaraes, que na condição de presidente da Caixa Econômica Federal, abstenha-se de submeter os empregados do banco a flexões de braço e outras situações de constrangimento no trabalho ou dele recorrente sob pena de instauração de procedimento investigatório e adoção de medidas administrativa e judiciais cabíveis”. Antes de assumir a Caixa, tornou-se público que Guimarães foi demitido do banco Santander por supostamente agredir um colega. As denúncias de assédio sexual, reveladas pelo portal Metrópoles e confirmadas por VEJA, são de imenso potencial negativo para a carreira do economista.

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