A tradição que não perde o brilho: AngloGold moderniza minas centenárias e amplia a produção de ouro
Com quase dois séculos de atuação no Brasil, a mineradora AngloGold combina tecnologia e responsabilidade socioambiental para crescer
Quase 200 anos de atividade não impediram a AngloGold Ashanti de se reinventar. A mineradora sul-africana, que atua no Brasil desde o século XIX, vive um período marcado pelo aumento da produção, por investimentos em tecnologia e pela busca de novas formas de operar. Em 2025, suas minas brasileiras produziram 326 000 onças (equivalentes a 9,2 toneladas) de ouro. No primeiro trimestre deste ano foram extraídas 67 000 onças, alta de 16% em relação ao mesmo período de 2025. A companhia vem modernizando equipamentos, testando soluções elétricas em minas subterrâneas e investindo em segurança e inovação. Em escala global, encerrou o ano passado com geração recorde de caixa, de 2,9 bilhões de dólares. “O Brasil continuará sendo um dos principais ativos estratégicos da AngloGold Ashanti no mundo”, afirma Luis Otávio de Lima, presidente para a América Latina. A combinação entre resultados e capacidade de adaptação ajuda a explicar a escolha da empresa como destaque do setor de mineração no ranking TOP30.
O bom momento também aparece nos indicadores financeiros. Em 2025, a AngloGold teve receita de 10 bilhões de dólares, salto de 70% na comparação com o ano anterior. O Ebitda ajustado chegou a 6,3 bilhões de dólares, enquanto o fluxo de caixa livre avançou 204%, para 3 bilhões. A valorização do ouro foi um dos principais fatores por trás do resultado, mas a companhia também ganhou eficiência. Com a melhora do caixa, anunciou 1,8 bilhão de dólares em dividendos aos acionistas e manteve recursos para financiar a exploração de novas reservas e a modernização das minas. “Nossa principal oportunidade de crescimento está em aproveitar melhor as minas que já operamos em Minas Gerais”, diz Lima. Para Giorgio de Tomi, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a estratégia revela maturidade. “Existe uma governança bem estabelecida na empresa”, diz.
A AngloGold também investe em inovações para tornar as minas mais eficientes. Em Minas Gerais, colocou em operação a primeira carregadeira elétrica utilizada em uma mina subterrânea no país e iniciou testes com uma betoneira elétrica para o transporte de concreto nas galerias. Sistemas de monitoramento permitem acompanhar o desempenho dos equipamentos e antecipar possíveis falhas. Os avanços operacionais são acompanhados por iniciativas sociais: em 2026, o Instituto AngloGold destinará 30 milhões de reais a setenta projetos em Minas Gerais. A mineradora mantém ainda 10 000 hectares de áreas protegidas e, desde 2021, reduziu em 60% as emissões de gases de efeito estufa. É assim que a AngloGold busca extrair mais valor de suas minas sem depender apenas do aumento da produção. Ao combinar tecnologia, eficiência e responsabilidade socioambiental, transforma a experiência bicentenária em uma vantagem para seguir crescendo no Brasil.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29






