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A reclamação que banqueiros levaram aos jantares de Lula e Flávio

Executivos relataram que o salário está acabando mais cedo

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 set 2026, 10h40
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Em quatro dias, dois grupos de banqueiros sentaram-se à mesa com os principais polos da eleição presidencial. Na quinta-feira, em São Paulo, encontraram Flávio Bolsonaro. Na segunda, foram ao Palácio da Alvorada conversar com Lula. Mudaram o candidato, o endereço e o cardápio. A preocupação, porém, foi praticamente a mesma: o dinheiro do brasileiro está acabando antes do mês.

No encontro com Flávio, executivos levaram um indicador que os bancos conseguem enxergar muito antes de aparecer nas grandes estatísticas da economia. Clientes assalariados estão entrando no cheque especial mais cedo. É um sinal simples, mas poderoso. Quando o limite bancário começa a ser usado antes, significa que uma parcela crescente das famílias já não consegue fazer o salário atravessar o calendário.

Dias depois, o problema reapareceu diante de Lula. Rubens Menin, da MRV, falou da inadimplência e dos efeitos dos juros sobre o financiamento habitacional. Eraí Maggi tratou das dívidas acumuladas no agronegócio. Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, defendeu maior convergência entre as políticas fiscal e monetária. Lula respondeu apostando no consumo das classes C e D como um dos motores da economia. É justamente aí que mora o risco.

Os números recentes ajudam a explicar a inquietação dos banqueiros. O consumo das famílias recuou 0,4% no segundo trimestre, enquanto a inadimplência das pessoas físicas nas operações de crédito livre chegou a 7,8% em julho, o maior nível da série iniciada em 2011. Sem considerar o financiamento imobiliário, o comprometimento da renda com dívidas alcançou 26,6%, também recorde. Pela CNC, 82% das famílias brasileiras carregam algum tipo de dívida. A Serasa contabiliza 83,9 milhões de consumidores inadimplentes, que acumulam 586,4 bilhões de reais em débitos.

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O Banco Central já trata a situação como motivo de atenção. Nesta quarta-feira, 2, a autoridade classificou o endividamento das famílias como historicamente elevado e indicou que prepara novas medidas para o mercado de crédito. Cartão e empréstimos pessoais estão no radar. Até as apostas esportivas passaram a ser mencionadas pelo BC como um fator relevante na deterioração financeira de parte das famílias.

A menos de cinco semanas da eleição, Lula e Flávio podem discordar sobre quase tudo. Os banqueiros que estiveram com ambos, porém, levaram às duas mesas o mesmo aviso. Nas telas dos bancos, uma campanha eleitoral muito mais silenciosa já está em andamento: a de milhões de brasileiros tentando fazer o salário chegar ao fim do mês.

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