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A prescrição de Paulo Guedes para a recuperação da economia

Ministro da Economia trata vacinação ampla como fundamental e espera o desenrolar das eleições no Congresso para a retomada da agenda de reformas

Por Victor Irajá Atualizado em 12 mar 2021, 05h57 - Publicado em 26 jan 2021, 08h57

Ao apresentar o cenário das contas do país, o ministro da Economia, Paulo Guedes, repassou a receita para que o Brasil alcance a recuperação da economia. O diagnóstico é claro e conciso, mas evoca as dificuldades para que o país se recupere com vigor. Guedes repetiu que apenas com a vacinação em massa e o andamento da agenda de reformas o país poderá colher os louros de uma retomada forte.

“Espero que todos se cuidem, saúde e vacinação em massa são críticos, são fatores críticos de desempenho econômico também. Então, para que a economia possa voar novamente, nós precisamos acelerar essa vacinação em massa”, afirmou o ministro na segunda-feira, durante apresentação de dados da arrecadação.

O ministro ainda apelou para que o Congresso Nacional empenhe-se para dar vazão às privatizações e as reformas administrativa e tributária. Pois bem, Guedes sabe, então, das dificuldades de se encampar as medidas necessárias para que o país volte aos trilhos. “Com a vacinação em massa entrando, a economia de novo circulando, o ideal é seguir com as reformas”, disse o ministro na manhã desta terça-feira, 26, em evento do banco Credit Suisse. 

  • Ao menos na questão da vacinação, há participação direta do Palácio do Planalto, que dificultou o avanço do processo. Porém, mesmo com sua a defesa enfática do programa de imunização, Guedes aprova a atuação do governo. “O Brasil está realmente tentando comprar todas as vacinas. A crítica de que teríamos ficado com uma vacina só não cabe. Estamos tentando adquirir todas as vacinas”, disse o ministro.

    No fim de semana, o Ministério da Saúde, sob a tutela de Eduardo Pazuello, admitiu a recusa da compra de ao menos 2 milhões de doses da vacina produzida pela Pfizer — a farmacêutica fala em 70 milhões de doses — porque o número reduzido de vacinas para a população “causaria frustração em todos os brasileiros” — mesmo que fossem os 2 milhões alegados pelo governo, o número é idêntico ao de imunizantes do consórcio Oxford e AstraZeneca importados com pompa da Índia. 

    O bate-cabeça da diplomacia brasileira com representantes chineses também implicou no risco de a CoronaVac tornar-se apenas um sopro de esperança. Autoridades como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o ex-presidente Michel Temer tiveram de se movimentar para apaziguar as caneladas do governo federal — o presidente Jair Bolsonaro referia-se pejorativamente ao imunizante como “a vacina chinesa”. Nesta segunda-feira, Bolsonaro mudou o tom e agradeceu pela “sensibilidade” dos chineses, exaltando a liberação de 5.400 litros de insumos para a fabricação do imunizante.

    Por outro lado, a agenda de reformas, também apontada por Guedes como primordial para que o país entre em um fluxo de crescimento sólido, também corre riscos. No final de semana, o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, entregou o chapéu a Paulo Guedes, graças à inércia no enxugamento da estatal. A empresa é considerada pelo ministro, ao lado dos Correios, como a cereja do bolo dos ativos à venda — mas o Congresso Nacional mostrou pouca vontade de levar à frente os deseinvestimentos. Isso se tornou público na semana passada, com Rodrigo Pacheco (DEM-MG), favorito à presidência do Senado, colocando em dúvida a privatização da companhia. Historicamente ligada à Eletrobras, a bancada do MDB do Norte fez jogo duro durante todo o ano para que o Ministério da Economia desse garantias de contrapartidas para que o texto andasse no Senado, mas ao que parece a matéria não deve caminhar caso Pacheco assuma a casa. Com a vacância da chefia da Eletrobras, parlamentares do Centrão já flertam com cargos e boquinhas na estatal. A privatização, infelizmente, ficou mais difícil. 

    A agenda de reformas, passa essencialmente pelas eleições no Congresso. A Câmara dos Deputados virou um campo de batalha em torno das candidaturas de Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP). Candidato do governo, Lira assegurou a Guedes que botaria para jogo a íntegra da reforma tributária do governo — com um simulacro de CPMF no balaio. Baleia, por sua vez, aposta na sua proposta de reforma, a PEC 45, como trunfo — e também na fácil conjunção com o trecho da proposta do governo que unifica PIS e Cofins. Nos últimos dias de comando de Rodrigo Maia (DEM-RJ), portanto, os olhos estão voltados para a agenda econômica dos dois candidatos.”É preciso destravar a pauta. Tem muita coisa parada na Câmara e no Senado”, reclamou Guedes. A recuperação passa por vacinação célere e a atração de investimentos para o país. Resta combinar com o Planalto e com o Congresso Nacional. O país tem pressa. 

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