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A posição do governo Lula sobre retaliação aos EUA por tarifaço

Geraldo Alckmin falou com jornalistas após reunião com representantes de setores que serão afetados pela sobretaxa

Por Redação 21 jul 2026, 19h35 | Atualizado em 22 jul 2026, 14h51
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O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira, 21, que a ideia do governo Lula não é adotar a Lei da Reciprocidade como forma de retaliação contra os Estados Unidos pela tarifa de 25% que será aplicada à importação de produtos brasileiros a partir desta quarta, 22.

“Foi aprovada uma lei, a Lei da Reciprocidade, por unanimidade”, afirmou a jornalistas após reunião com representantes de setores que serão afetados pela sobretaxa. “É um processo que tem um conjunto de etapas, passando por audiências públicas, enfim. A ideia não é retaliação, né. Não é retaliação. Olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos. Então, a reciprocidade é: ‘olha, estamos sendo injustiçados, e nós queremos corrigir isso, temos instrumentos para fazê-lo, no momento oportuno, da forma adequada’.”

Quais empresas mais ganharam e perderam com o tarifaço dos EUA

O vice-presidente, que já foi chefe do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, afirmou que a posição do governo é “negociação sempre”.

O Executivo finaliza um pacote de apoio aos setores afetados e acelera a busca por novos mercados para as exportações nacionais. Os dois detalharam os principais eixos do pacote de ajuda aos exportadores.

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Três frentes

O governo estruturou a resposta à sobretaxa americana em três eixos: apoio financeiro às empresas, diversificação de mercados e diálogo permanente com os setores produtivos para dimensionar os impactos.

A medida dos Estados Unidos prevê tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de acréscimo de mais 12,5%, atingindo cerca de 18% das exportações destinadas ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

Apoio interno

Entre as medidas em estudo está a oferta de crédito por meio do programa Brasil Soberano para capital de giro e investimentos das empresas afetadas.

O governo também avalia flexibilizar temporariamente regras do regime de drawback, isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias para exportação.

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A ideia é permitir que exportadores que perderem mercado nos Estados Unidos tenham mais prazo para cumprir compromissos de exportação sem perder benefícios tributários.

Outro tema discutido é a possibilidade de ajustar exigências relacionadas à manutenção de empregos para setores que venham a receber apoio emergencial.

“O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo”, afirmou Márcio Elias Rosa.

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Novos mercados

Paralelamente, a ApexBrasil, agência estatal voltada à promoção de exportações brasileiras, intensificará a busca por novos destinos para os produtos do país.

Entre os mercados prioritários estão Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático, além do avanço das negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), e Mercosul e Singapura.

O governo avalia que a diversificação dos destinos das exportações poderá reduzir a dependência do mercado estadunidense, especialmente para segmentos industriais de maior valor agregado.

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Tarifaço

A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros foi anunciada pelo governo de Donald Trump na semana passada. Washington critica Brasília por políticas que, segundo afirma, afetaram particularmente o comércio americano ao “reduzir o acesso a um de seus principais mercados de exportação”, afirmou o secretário de comércio dos EUA, Jamieson Greer, na ocasião.

A tarifa foi justificada pela chamada Seção 301, alegando práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento. Greer afirmou que as negociações entre Brasil e Estados Unidos ao longo do último ano não resolveram as divergências.

Alguns itens ficaram de fora do tarifaço e integram uma lista de exceções, como parte relevante do agronegócio, indústria de base, setor aeronáutico e produtos farmacêuticos e químicos, todos itens estratégicos para a economia americana. A lista tem mais de 800 itens, entre eles minerais críticos, suco de laranja, carnes, café e componentes de aeronaves.

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(Com Agência Brasil)

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