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A onda otimista que elevou as bolsas após as eleições americanas

Ibovespa encerrou a semana em alta de 3,76%; Moedas de emergentes se valorizaram após pleito nos EUA, mas real não aproveita devido a risco fiscal

Por Luisa Purchio Atualizado em 14 nov 2020, 15h48 - Publicado em 14 nov 2020, 09h16

A onda de otimismo trazida com a eleição do candidato Joe Biden à presidência dos Estados Unidos elevou bolsas mundo afora, e o mercado brasileiro também surfou na onda. Mesmo com ruídos internos como as falas radicais do presidente Jair Bolsonaro — que voltou a minimizar a pandemia e até ameaçou usar “pólvora” contra os EUA — o Ibovespa cresceu 3,76%. No acumulado das últimas duas semanas, o principal indicador da bolsa brasileira subiu 11,46%. O movimento mostra o impacto das bolsas americanas no mercado local. Nos EUA, o Dow Jones subiu 4% na semana e 11,23% nas últimas duas semanas. O S&P 500, por sua vez, teve uma variação positiva semanal de 2,16%, e de 9,66% nas últimas duas semanas.

Para impulsionar os bons ventos aos investidores, as bolsas também foram fortemente impactadas pelos avanços nas pesquisas sobre a vacina da Pfizer, que animaram os investidores a comprarem papéis principalmente de empresas afetadas pela Covid-19 e pelo lockdown. No decorrer da semana, porém, os ânimos foram diminuindo com a necessidade de mais pesquisas para a aprovação da vacina e o aumento de casos nos Estados Unidos, na Europa e no Japão.

Mas, o ciclo de otimismo está baseado mesmo no encerramento de um período de incertezas sobre qual nome seria o próximo a ocupar a cadeira da Casa Branca. A vantagem do democrata Joe Biden, que conquistou 306 delegados no colégio eleitoral trouxe segurança aos mercados de que, independentemente das contestações sem provas feitas por Trump sobre o resultado eleitoral, Biden assumirá o posto sem dificuldades, o que traz estabilidade aos investidores. Outro propulsor desse otimismo nas bolsas é o fato de ser praticamente certo que o Senado americano ficará com maioria republicana, o que freará a aprovação de um pacote de incentivos fiscais muito grande, defendido pelos democratas. A questão-chave é que, sem esse pacote, será inevitável para o Federal Reserve, o banco central dos EUA, continuar com sua política de estímulos fiscais com juros baixos, o que beneficia as bolsas.

Novos estímulos

Na quinta-feira 12, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reafirmou que as políticas de estímulo são fundamentais para a recuperação da economia americana. Ou seja: a injeção de dólar na economia por meio da compra de títulos públicos deve continuar, o que reafirma a tendência de mais baixas da moeda americana pelo mundo e beneficia principalmente os países emergentes. O real, no entanto, não surfou nesse otimismo. Nessa semana encerrada na sexta-feira 13, o dólar comercial fechou em 5,4736 reais, acima dos 5,3920 da semana passada. Em relação a outras moedas de emergentes, como o rublo russo e o peso mexicano, o dólar se desvalorizou.

O motivo dessa desvalorização do real é, principalmente, o risco fiscal que permanece no país. “No frigir dos ovos, nossos problemas internos vão predominar, principalmente a questão do orçamento para 2021”, diz Silvio Campos Neto, sócio da consultoria Tendências. “A volta dos investidores estrangeiros só é sustentável se fizermos o dever de casa”, disse Alexandre Espírito Santo, economista da Órama. Para isso, a agenda de reformas e as privatizações precisam deixar de ser apenas promessas.

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