A máquina de fazer dinheiro da IA: lucro da TSMC dispara 77%
Resultados acima das expectativas e novos investimentos bilionários indicam que a demanda por semicondutores segue aquecida
A corrida global pela inteligência artificial ganhou mais um sinal de força nesta quinta-feira (16).
A TSMC, maior fabricante de chips sob encomenda do mundo, divulgou lucro recorde no segundo trimestre e elevou suas projeções para 2026, enquanto a holandesa ASML, única empresa capaz de produzir as máquinas mais avançadas para fabricação de semicondutores, também revisou para cima sua expectativa de vendas.
Juntos, os resultados reforçam a percepção de que o ciclo de investimentos em inteligência artificial continua acelerado, impulsionado por gigantes como Nvidia, Apple, Microsoft, Alphabet e Broadcom, que seguem ampliando gastos em infraestrutura computacional e data centers para atender à explosão da demanda por IA generativa.
TSMC supera previsões e registra lucro recorde
A TSMC reportou lucro líquido de NT$ 706,6 bilhões (cerca de US$ 21,9 bilhões ou R$ 112 bilhões) entre abril e junho, alta de 77,4% em relação ao mesmo período do ano passado e acima das estimativas do mercado.
A receita também surpreendeu, atingindo NT$ 1,27 trilhão (aproximadamente US$ 39,5 bilhões ou R$ 202 bilhões), crescimento anual de 36%.
Os números consolidam a posição da empresa como principal beneficiária da nova corrida global pela inteligência artificial.
Atualmente, a TSMC fabrica os chips mais avançados utilizados por empresas como Nvidia, Apple, AMD, Qualcomm e Broadcom, concentrando praticamente toda a produção mundial dos semicondutores de última geração.
Chips de última geração impulsionam crescimento
Grande parte desse avanço veio das tecnologias mais sofisticadas.
Segundo a companhia, 77% da receita proveniente da fabricação de wafers já corresponde a chips produzidos em processos de 7 nanômetros ou inferiores, considerados essenciais para aplicações de inteligência artificial, computação de alto desempenho e smartphones premium.
Os chips de 5 nanômetros responderam por 33% da receita, enquanto os de 3 nanômetros representaram outros 30%, evidenciando a rápida migração da indústria para componentes cada vez menores, mais eficientes e com maior capacidade de processamento.
Essa miniaturização permite aumentar significativamente o desempenho computacional ao mesmo tempo em que reduz o consumo de energia, fator decisivo para o avanço dos modelos de IA.
Empresa amplia investimentos nos Estados Unidos
Confiante na continuidade da demanda, a TSMC revisou para cima tanto sua previsão de receita quanto seu plano de investimentos.
Para o terceiro trimestre, a empresa estima faturamento entre US$ 44,6 bilhões e US$ 45,8 bilhões (entre R$ 228 bilhões e R$ 234 bilhões).
Já o orçamento anual de investimentos foi elevado para uma faixa entre US$ 60 bilhões e US$ 64 bilhões (de R$ 307 bilhões a R$ 328 bilhões).
Parte importante desses recursos será destinada à expansão da operação no estado americano do Arizona.
A companhia informou que o investimento total na região deverá alcançar US$ 265 bilhões (cerca de R$ 1,36 trilhão), incluindo novas fábricas dedicadas à produção de chips de 2 nanômetros, tecnologia que deverá representar a próxima fronteira da indústria mundial de semicondutores.
A expansão faz parte da estratégia dos Estados Unidos para reduzir sua dependência da produção asiática, considerada um risco geopolítico crescente diante das tensões entre China e Taiwan.
ASML continua sendo peça-chave da indústria
Os resultados da TSMC vieram um dia após a ASML anunciar números também acima das expectativas.
A fabricante holandesa é hoje a única empresa do mundo capaz de produzir equipamentos de litografia ultravioleta extrema (EUV), máquinas indispensáveis para fabricar os semicondutores mais avançados existentes.
Sem esses equipamentos, empresas como TSMC, Samsung e Intel simplesmente não conseguem produzir chips de última geração.
A companhia elevou pela segunda vez neste ano sua projeção de receita para entre US$ 49,3 bilhões e US$ 51,6 bilhões (de aproximadamente R$ 252 bilhões a R$ 264 bilhões).
As ações da empresa acumulam valorização próxima de 75% em 2026, refletindo a expectativa de continuidade do ciclo de investimentos em inteligência artificial.
Demanda por IA segue forte, apesar das dúvidas do mercado
Nos últimos meses, investidores passaram a questionar se gigantes da tecnologia estariam investindo em excesso na construção de data centers, levantando dúvidas sobre uma possível formação de capacidade ociosa no futuro.
Os resultados divulgados por TSMC e ASML, no entanto, sugerem que esse cenário ainda não começou a se materializar.
A demanda por chips continua crescendo em ritmo acelerado, impulsionada pelo treinamento de modelos de inteligência artificial, pela expansão da computação em nuvem e pelo desenvolvimento de agentes de IA cada vez mais sofisticados.
Empresas como Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta anunciaram planos para investir centenas de bilhões de dólares em infraestrutura computacional ao longo dos próximos anos, sustentando uma carteira robusta de pedidos para toda a cadeia global de semicondutores.
Taiwan permanece no centro da disputa tecnológica global
O desempenho da TSMC reforça também o papel estratégico de Taiwan na economia mundial.
A empresa responde pela maior parte da fabricação global de chips avançados, tornando-se um ativo considerado essencial tanto para a indústria quanto para a segurança nacional de diversas economias.
Essa liderança explica o esforço simultâneo de Estados Unidos, Japão e União Europeia para atrair parte da produção para seus territórios por meio de incentivos bilionários.
Apesar desse movimento, especialistas avaliam que a vantagem tecnológica acumulada pela TSMC ao longo de décadas continua difícil de replicar.
Os resultados do segundo trimestre reforçam essa percepção: enquanto governos discutem como reduzir a dependência da produção asiática, a fabricante taiwanesa segue ampliando receitas, investimentos e participação em um mercado cada vez mais impulsionado pela inteligência artificial.







