A fortuna de Haakon, novo rei da Noruega, faz dele um dos mais humildes da Europa?
O novo monarca declarou cerca de 55 milhões de reais em bens privados, mas desfrutará das mordomias do trono
Com a morte de Harald V, aos 89 anos, nesta sexta-feira, 28, o príncipe herdeiro Haakon assume o trono, com o nome de Haakon VIII, tornando-se o novo chefe de uma das principais casas reais europeias. O estilo de vida do falecido rei é considerado modesto em comparação com o que ocorre em outras nações com monarquias, como a do Reino Unido. Resta saber se Haakon manterá a tradição.
Diferente do Palácio Real de Oslo, que pertence ao Estado norueguês e não é transferido por herança, a mansão de Skaugum, em Asker, já é propriedade formal de Haakon desde que o pai lhe cedeu o imóvel como presente de casamento em 2001. A propriedade é parcialmente destinada a terras agrícolas e florestas, e passou por uma reforma de aproximadamente 44 milhões de coroas (o equivalente a 25 milhões de reais), parcialmente financiada pelo governo norueguês, concluída em 2003. A mansão tem estilo de fazenda tradicional, com cerca de 140 aposentos e 1.000 metros quadrados, dividida entre espaços de uso privado da família e salões destinados a funções oficiais.
O trono sem as escrituras dos palácios
Ao assumir a coroa, Haakon desfruta do uso institucional do Palácio Real de Oslo e das demais residências oficiais, como Gamlehaugen, em Bergen, e Stiftsgården, em Trondheim, mas não a propriedade desses imóveis, que continuam pertencendo ao Estado. Já bens privados de Harald V e da rainha Sonja, cujo destino ainda está a ser definido, incluem a casa de verão de Mågerø, avaliada em torno de 200 milhões de coroas norueguesas (algo como 110 milhões de reais), o refúgio de inverno Kongsseteren e a casa de montanha Prinsehytta. A sucessão ao trono não faz de Haakon herdeiro único do patrimônio privado do pai: a princesa Marta Luísa, irmã do novo rei, também mantém direitos sobre a herança.
A fortuna financeira pessoal de Harald V havia sido declarada pelo Palácio em 2010 em pouco menos de 100 milhões de coroas norueguesas (cerca de 55 milhões de reais). Um patrimônio com destino já definido pela tradição é o iate real Norge, presente do povo norueguês ao rei Haakon VII em 1947, mantido pela Marinha mas de propriedade pessoal do monarca, e que deve seguir agora nas mãos de Haakon VIII.
Um estilo de reinado ainda a se confirmar
A família real norueguesa é conhecida internacionalmente por hábitos considerados incomuns entre monarquias, como o uso de transporte público, atribuídos sobretudo ao próprio Harald V e à rainha Sonja. Mas mantê-la não sai nada barato. Segundo levantamento da consultoria espanhola Remco, o custo anual da monarquia norueguesa gira em torno de 60 milhões de euros, valor bastante inferior aos cerca de 166 milhões de euros gastos pela realeza britânica e dos 100 milhões de euros da Espanha, mas acima dos 45 milhões de euros gastos para manter a monarquia holandesa, os 36 milhões de euros da Bélgica e, principalmente, os quase 8 milhões da vizinha Suécia.
A fortuna da família real norueguesa tem origem principalmente em heranças recebidas de parentes que pertenceram às casas reais britânica e dinamarquesa, acumuladas desde o início do século XX e aplicadas, em grande parte, em investimentos financeiros no exterior. Ela não deriva do fundo soberano da Noruega, das receitas do petróleo nem da propriedade privada dos palácios oficiais do país.
Escândalos
A ascensão do novo rei ocorre, porém, em um momento delicado para a família, marcado por escândalos recentes envolvendo o círculo próximo da Casa Real.
A esposa de Haakon, Mette-Marit, está no centro desses escândalos. O primeiro caso envolve seu filho de um casamento anterior, Marius Borg Høiby, de 29 anos, que é acumula acusações de estupro, violência doméstica, agressão, ameaças, violação de medidas restritivas, infrações de trânsito, delitos relacionados a drogas e registros íntimos sem consentimento. Este ano, ele foi condenado a quatro anos de cadeia. Marius não integra a linha sucessória nem tem funções oficiais na Casa Real, mas foi criado no entorno da família e sua situação criminal atingiu diretamente a imagem da monarquia.
O segundo caso diz respeito aos contatos frequentes que Mette-Marit mantinha com o financista americano Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais contra menores de idade. Ele morreu na cadeia em 2019. Não há acusações contra a rainha, mas a amizade com Epstein, que se manteve mesmo após ele admitir alguns de seus crimes, fez com que ela se visse obrigada a pedir desculpas publicamente.







