A força de muitas marcas: Azzas 2154 avança na integração das operações
A gigante da moda, integra grifes como Arezzo e Farm Rio para ganhar eficiência e gerar caixa
O Azzas 2154, maior grupo de moda da América Latina, carrega a aspiração à longevidade no nome. O ano de 2154 marcará os 200 anos do nascimento do fundador da Arezzo&Co, Anderson Birman, empresa que se juntou ao Grupo Soma em 2024, integrando marcas como Arezzo, Hering, Farm Rio e Reserva, entre outras. Com 1,2 bilhão de reais em geração de caixa em 2025, o primeiro ano completo desde a fusão, o Azzas 2154 firma-se no topo do ranking TOP30 na categoria têxtil e calçados. Para Alexandre Birman, presidente do grupo, a vantagem está em ganhar escala sem diluir a identidade de cada grife: “Temos a dimensão e a estrutura de um grande grupo, ao mesmo tempo em que preservamos a identidade das marcas”. No último ano, a Farm Rio cresceu 22% e acelerou a expansão global, com lojas em destinos como Ibiza e Capri. A marca NV avançou 29% e bateu recordes de vendas, enquanto a Oficina cresceu 30%. O braço de calçados (Shoes & Bags) gerou 234 milhões de reais em caixa e recebeu investimentos em marketing, como uma campanha estrelada pela atriz americana Sarah Jessica Parker.
Uma das marcas mais fortes do grupo, a Hering passou por uma reestruturação focada em eficiência e gerou 112 milhões de reais em caixa no quarto trimestre de 2025. Para Marcelo Prado, diretor da consultoria IEMI, gerir grifes com culturas e posicionamentos distintos exige alocação criteriosa de recursos. “É preciso equilibrar negócios em forte ascensão, que demandam capital para crescer, com marcas que passam por reestruturação”, diz Prado. “Se umas drenam o resultado das outras, o desempenho da empresa fica na média.”
Também chamam a atenção as saídas de lideranças, o enxugamento do portfólio e os rumores sobre uma possível venda da Farm Rio. Birman, porém, reforça a aposta na geração de valor de longo prazo: “O Azzas 2154 é uma companhia em constante evolução, com dinâmicas que fazem parte de uma empresa dessa dimensão e em um mercado que está em transformação”. Além dos desafios internos, existem aqueles que afetam o setor como um todo, como juros altos, endividamento das famílias e concorrência agressiva de plataformas internacionais de comércio eletrônico. Há ainda uma mudança demográfica: com o envelhecimento da população, as marcas precisarão atrair e fidelizar consumidores mais velhos: “A participação das roupas no orçamento das famílias já caiu de 8% nos anos 2000 para 4% atualmente”, afirma Prado.
Para enfrentar essas questões, o Azzas 2154 aposta em tecnologia, inteligência artificial e eficiência logística. “A IA tem potencial para ampliar nossa capacidade de entender o consumidor, acelerar processos e apoiar decisões sem substituir a criatividade e o talento humanos”, afirma Birman. O desafio agora é fazer com que o tamanho do grupo fortaleça suas grifes sem apagar aquilo que torna cada uma delas desejada pelo consumidor.
Publicado em VEJA, agosto de 2026, edição VEJA Negócios nº 29







