A força da parceria: por que Jaraguá do Sul desponta entre as cidades médias da região
A colaboração entre poder público, empresas e comunidade permite que a cidade catarinense cresça em ritmo acelerado sem abrir mão da qualidade de vida
Com uma estreita colaboração entre o poder público, o capital privado e a comunidade, Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, cresce sem comprometer a qualidade de vida
Dificilmente grandes saltos populacionais acontecem sem efeitos colaterais para as cidades. A catarinense Jaraguá do Sul é uma exceção. De 2000 para cá, sua população cresceu quase 70%, passando de 108 000 para pouco mais de 182 000 habitantes. Ainda assim, a cidade mantém indicadores sociais invejáveis, especialmente na avaliação da qualidade de vida, o que faz dela a campeã da Região Sul na categoria de cidades de médio porte do ranking As Melhores Cidades do Brasil.
Os bons resultados se devem à aproximação entre o setor público e as empresas locais. Faz todo sentido. Boa parte do crescimento populacional foi puxada pela demanda de mão de obra de grupos proeminentes como a fabricante de equipamentos elétricos WEG, a confecção Malwee e a produtora de aromas e ingredientes DR. Nada mais natural que compartilhassem com a prefeitura o esforço para evitar que os indicadores se deteriorassem.
Uma das estratégias da prefeitura é apoiar quem chega em busca de trabalho: os experientes são encaminhados às vagas abertas nas empresas; os demais, matriculados em cursos profissionalizantes realizados em parceria com o Senai. “Ajudamos essas pessoas na adaptação inicial à cidade”, afirma o prefeito José Jair Franzner.
Na prática, dois órgãos aproximam as empresas e a administração pública. Um deles é o Conselho Pró-Jaraguá do Sul, formado por empresários e ex-executivos de grandes companhias locais. Funciona como uma espécie de conselho consultivo: reúne-se periodicamente para avaliar a gestão do município e para auxiliar em decisões críticas. “Compartilho os assuntos mais delicados”, diz Franzner. Um exemplo foi a reestruturação do transporte público, realizada em 2021 por meio de uma nova concessão do serviço de ônibus, que otimizou os custos com o subsídio, cortou as linhas menos utilizadas e estabeleceu metas de qualidade. O número de passageiros saiu de 300 000 para cerca de 500 000 por mês, a um custo de 25% a 30% menor do que a cidade gastaria sem as mudanças.
O outro é o Comitê de Desenvolvimento Econômico, que ajuda a atrair investidores e leva ao poder público os problemas dos empreendedores. Foi por meio dele que, em 2023, a cidade reduziu as alíquotas do imposto sobre serviços (ISS) para atividades como inovação, tecnologia e software. “As empresas mostraram que nossas alíquotas eram superiores às de outros municípios”, diz o prefeito. “Reduzimos os impostos e a arrecadação disparou.” Segundo o Tesouro Nacional, as receitas da cidade com o ISS aumentaram de 93 milhões para 127 milhões de reais em dois anos — uma alta de 37%.
A WEG, hoje com 66 fábricas em dezoito países, cultiva suas raízes na cidade e anunciou, no ano passado, 160 milhões de reais para modernizar seu parque fabril local. “Jaraguá do Sul reúne cultura empreendedora, visão de longo prazo, valorização da educação e proximidade entre empresas, poder público e comunidade”, diz Alberto Kuba, presidente da WEG. “Esse ambiente favorece a inovação, a formação de talentos e o crescimento dos negócios.”
No que depender da prefeitura, a iniciativa privada terá cada vez mais espaço nos serviços do município. A cidade finaliza uma parceria público-privada para a manutenção e os investimentos em iluminação pública e monta outra para construir um novo centro administrativo. A meta é elevar a administração pública ao patamar de excelência que as empresas mais destacadas da cidade alcançaram nas últimas décadas — e as tornaram reconhecidas dentro e fora do Brasil.
Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28







