A força da floresta: Pimenta Bueno é a melhor cidade de pequeno porte do Norte
Expansão da arrecadação, incentivos fiscais e crescimento econômico colocaram o município de Rondônia no topo do ranking
Em oito anos, a arrecadação de Pimenta Bueno, em Rondônia, triplicou de 80 milhões de reais para 243 milhões de reais e deve ultrapassar os 250 milhões em 2026. A expansão da economia local ajuda a explicar essa evolução: o PIB do município cresceu 64% nos últimos cinco anos, impulsionado pelas 4 723 empresas ali instaladas, das quais 149 são indústrias. Com cerca de 35 000 habitantes, sua renda per capita alcançou 60 558 reais, segundo o IBGE.
As medidas adotadas pela administração municipal também estimulam o desempenho da cidade, localizada na região central do estado, a 520 quilômetros da capital, Porto Velho, e com Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,71, número considerado alto. Os incentivos fiscais para atrair investimentos incluem isenção de até 100% dos tributos municipais. A cidade também oferece obras de terraplanagem e de infraestrutura de que os empreendedores necessitem, além da permuta de áreas e da cessão de uso de terrenos públicos por até vinte anos. Outra iniciativa é o programa municipal Pró-Indústria, que, em três anos, facilitou a doação de mais de quarenta lotes para a instalação de empresas.
Tais números contribuíram para que Pimenta Bueno fosse a campeã da Região Norte, na categoria cidades de pequeno porte, desta edição As Melhores Cidades do Brasil de VEJA NEGÓCIOS. No conjunto de todos os municípios nortistas, Pimenta Bueno está entre os dez melhores em arrecadação, em execução do orçamento, em capacidade de pagamento e em desenvolvimento municipal. Considerando-se apenas as cidades de pequeno porte, lidera em indicadores econômicos, ocupa o terceiro lugar em indicadores fiscais, o sétimo na área social e o décimo em inclusão digital. “Quando a prefeitura é organizada, a arrecadação melhora”, afirma a prefeita Marcilene Rodrigues (Podemos). “Mas buscamos ir além e desenvolvemos ações para melhorar a capacidade de receber impostos.”
Um exemplo é o programa de regularização de imóveis, que contribuiu para elevar a arrecadação do IPTU e para oferecer maior segurança jurídica aos moradores. O passo seguinte é incentivar a construção de moradias. Segundo o secretário da Fazenda, Paulo de Tarso Veche e Silva Junior, a prefeitura respondeu à demanda com um programa que facilita a venda de lotes. A estratégia foi assumir um antigo loteamento irregular, regularizá-lo e vender os terrenos por valores abaixo dos praticados no mercado com o objetivo de estimular a construção civil e a geração de empregos.
A cidade deve sua origem a um posto telegráfico instalado no local, em 1912, pelo marechal Cândido Rondon (1865-1958). Após décadas atraindo garimpeiros e seringueiros, a região foi beneficiada pela inauguração, em 1960, da rodovia BR-364, que liga atualmente São Paulo ao Acre, e pela implantação, a partir de 1969, de um projeto de colonização liderado pelo Incra. Em 1977, Pimenta Bueno obteve sua emancipação e tornou-se formalmente um município. Conhecida pela produção agropecuária — com cerca de 7 000 toneladas de grãos e 93 000 toneladas de carne por ano —, além do turismo nas praias formadas no encontro dos rios Pimenta Bueno e Barão do Melgaço, a cidade procura agora diversificar sua economia. A fim de se preparar para os novos negócios que espera atrair, a prefeitura deve contratar mais servidores, inclusive para a área responsável pela arrecadação. “Eles serão cruciais para nos atualizarmos rapidamente quanto à reforma tributária”, diz Silva Junior. Nesse ritmo, Pimenta Bueno não será pequena por muito tempo.
Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28





