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A estratégia de Guedes para dar poder a uma de suas principais aliadas

Ministro trabalha para encampar sua ex-assessora Daniella Marques no Ministério da Indústria e Comércio, desejado por Jair Bolsonaro

Por Victor Irajá Atualizado em 30 Maio 2022, 10h54 - Publicado em 28 Maio 2022, 11h08

Não pegou ninguém de surpresa dentro do Ministério da Economia a promessa do presidente Jair Bolsonaro de recriar o Ministério da Indústria e Comércio. Em meio à avidez do Centrão pelo posto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, vem trabalhando forte nos bastidores nas últimas semanas para emplacar mais um nome forte da pasta que comanda para o posto de chefe do novo ministério, desta vez a secretária de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Daniella Marques.

Formada em administração pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Daniella é, desde o início do governo, uma das principais aliadas do ministro. Antes de assumir a Secretaria de Produtividade, em dezembro do ano passado, Daniella era assessora especial de Guedes. Apesar da indicação para a pasta da Indústria e Comércio, o nome da assessora já enfrenta resistência da classe política — não só pelo interesse no posto. As críticas envolvem a área de atuação de Daniella, que trabalhou por 20 anos no mercado financeiro, na gestão de fundos de investimentos.

A articulação pela indicação de Daniella Marques envolve uma estratégia de Guedes de abarcar sob sua influência a gestão dos principais ministérios do governo. O ministro vem ganhando terreno novamente, depois de ter seu ministério esvaziado. No ano passado, Guedes conseguiu emplacar um de seus principais auxiliares, o então secretário de Previdência e Trabalho Bruno Bianco, na Advocacia-Geral da União (AGU). Antes, havia indicado o antecessor de Bianco na secretaria, Rogério Marinho, como ministro do Desenvolvimento Regional — de quem, depois, se tornou desafeto no governo.

Em um evento realizado entre ministros de países do Brics na semana passada, Daniella fez sinalizações em torno deste movimento. Ela elencou a reindustrialização do país como um dos principais focos da gestão. “O governo federal está promovendo um processo de transformação do setor industrial brasileiro com medidas que simplificam as regras e estimulam a competitividade”, afirmou. 

Como mostra a edição de VEJA desta semana, Guedes ganhou força e estendeu seus tentáculos sobre a área de petróleo e gás — o grande calcanhar de Aquiles de Jair Bolsonaro para as eleições deste ano. Guedes emplacou um membro de sua equipe, o secretário de Desburocratização, Caio Mário Paes de Andrade, como novo indicado à presidência da Petrobras. O movimento aconteceu duas semanas depois de o presidente ter nomeado para o cargo de  ministro das Minas e Energia outro nome próximo a Guedes: o seu assessor especial, Adolfo Sachsida, em substituição ao almirante Bento Albuquerque. Com essas duas movimentações, o Posto Ipiranga se se tornou o homem forte na petroleira e agora herda o desafio principal de impedir que a alta dos combustíveis toque fogo nos planos de Bolsonaro à reeleição.

Promessa

Em um evento realizado na quinta-feira 26 pela Federação das Indústrias de Minas Gerais, a Fiemg, Bolsonaro disse, atendendo à solicitação do presidente da federação, Flávio Roscoe, que delegará ao presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), a recriação da pasta ainda neste ano. “Foi uma solicitação que confesso que já estava um pouco madura, mas agora selou o seu final. Uma vez havendo uma outra oportunidade, ainda no corrente ano, vai estar nas mãos do Lira a recriação do Ministério da Indústria e Comércio”, afirmou.

Bolsonaro recebeu a demanda da indústria em um momento em que perde capital eleitoral para o primeiro colocado nas pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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