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A economia em suspense

Empresários e investidores aguardam o desfecho da eleição, temerosos da manutenção da política econômica centralizadora e hostil aos mercados

Por Marcelo Sakate 3 out 2014, 01h00

Avaliada pelo humor dos investidores e dos especuladores, a atual disputa eleitoral brasileira revela uma particularidade. Em vez da alternância de poder, desta vez é a manutenção do atual governo que causa apreensão e desperta incertezas. A tensão pré-eleitoral exibe um substrato claro. Caso vença Marina ou Aécio, espera-se uma correção de rumo na administração da economia que dê novo alento aos investimentos. Em um cenário de mais quatro anos de Dilma, ao contrário, existe pouca clareza sobre se haverá mudanças ou se a presidente, mesmo com a já anunciada substituição de Guido Mantega na Fazenda, promoverá ajustes favoráveis ao setor privado. Em sua campanha, a atual presidente pouco fez para dirimir incertezas sobre como será o seu segundo mandato e alimentou ainda mais a desconfiança com a radicalização de suas diatribes contra bancos e investidores estrangeiros. Embora o desempenho econômico dos últimos quatro anos tenha sido pífio, não foi feito nenhum mea-culpa pela equipe econômica nem pela sua comandante. No discurso oficial, não se sabe se por autoengano ou se por manipulação das evidências, o Brasil encerrará quatro anos gloriosos em 2014.

A verdade é que foram engendrados desequilíbrios profundos na economia, que, se não revertidos quanto antes, trarão resultados indigestos ainda no próximo governo. Um estudo recente evidencia como o Brasil, apesar das conquistas inequívocas na última década, avançou modestamente na comparação com seus pares emergentes em critérios como crescimento, investimento, inflação, produtividade, distribuição de renda e escolaridade. Não por acaso, um estudo dos economistas Vinicius Carrasco, João M.P. de Mello e Isabela Duarte foi denominado “A década perdida: 2003-2012”, numa referência ao sentimento de que o país poderia ter avançado muito mais, beneficiado que foi por um choque de renda externo (a valorização de matérias-primas exportadas). Um dos poucos pontos positivos foi a criação de vagas de trabalho e a queda no desemprego, mas mesmo essa conquista está sob risco, porque foi baseada, em grande parte, na bolha do consumo inflamada pelo governo.

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